5 de março de 2015

Performances que emocionam

Neste meio período sabático que tirei aqui do blog, passei por assuntos que achei interessante e que gostaria de ter escrito sobre eles. Com o tempo, a vontade de falar de quase todos eles foi passando, mas tem dois assuntos que realmente curti. Nenhum deles é novidade e, na verdade, só gostaria de registrá-los aqui no blog.

Para a minha surpresa, o primeiro deles fala sobre Marina Abramovic e ela terá uma exposição no fim do mês em São Paulo. Então, nem é tão random assim :)

O primeiro é um vídeo que ficou super famoso na internet (já tem quase 10 milhões de visualizações) mas que eu não conhecia e fiquei super emocionado quando soube da história. É sobre a artista Marina Abramovic. O MoMa fez uma retrospectiva de sua carreira, com todas as suas obras em 2010 e, ao final da exposição, tinha uma performance chamada "A artista está presente" onde ela ficava por horas no museu, sentada quieta e uma pessoa por vez sentava à sua frente por alguns segundos.

Esta obra, na verdade, é uma releitura de uma performance que ela fez no início de sua carreira, com o artista plástico Ulay. Com ele, Marina viveu por 12 anos seguidos, num misto de carreira, amor e loucura. Eles viviam como nômades, dentro de um carro por 5 anos e depois mudando de cidade em cidade. Enquanto isto, faziam performances bem interessantes e que ficaram super conhecidas no mundo da arte.

A performance "A artista está presente" é uma releitura de uma performance que eles fizeram no final dos anos 70, onde um ficava em frente ao outro, em silêncio, sem se mexer, sem falar, sem comer. Jejuando mesmo. Fizeram isto por 90 dias não consecutivos.

Outra obra super interessante que eles fizeram foi a Grande Caminhada, onde cada um começou a andar em um lado da Muralha da China e se encontraram no meio do caminho. Os dois, percorrendo uma distância enorme ao encontro do outro. Era para ser uma performance super romântica, com uma mensagem super positiva mas o processo de aprovação com o governo chinês demorou 8 anos e só foi liberado em 1988. Durante todo este tempo, a relação dos dois foi se desgastando e, pouco antes de iniciar a performance do muro da China, eles começaram a dormir com outras pessoas, indicando o fim do relacionamento.

Ao chegar no meio do caminho (cada um percorreu a pé 2.500km, andando por quase 90 dias) Ulay conta a Marina que a intérprete chinesa que eles contrataram para executar a performance estava grávida dele e não sabe o que fazer. Ela resolve, então, que o encontro no meio do caminho é, na verdade, uma despedida. Eles combinam de nunca mais se verem, e seguirem suas vidas separadamente. E foi realmente o que aconteceu. O ano era 1988.

Eles só se reencontraram no dia da abertura da exposição do MoMa em 2010 (22 anos depois). O vídeo que ficou famoso é o que mostra quando ele aparece de surpresa e senta na frente dela, durante a performance. É um momento lindo! Dá para ver bem a expressão de surpresa dela e de amor na cara deles. Veja (ou reveja, vale a pena!):




Eu achava que ela não o tinha visto nunca mais mas, na verdade, eles se viram na manhã do dia de abertura, antes da performance começar. Mas ela não sabia que ele iria aparecer na performance, o que explica a parte de surpresa. E a emoção de ambos é mais que compreensível, afinal, foi naquele dia que eles se reviram depois de tanto tempo. E a história deles é bem bonita e particular. Encontrei este vídeo que conta em detalhe toda esta história de amor. O vídeo é um pouquinho longo (são cerca de 25 minutos) mas vale muito a pena ver pois conta sobre a relação deles e mostra os principais trabalhos que realizaram juntos, todos bem legais.



Que bom saber que a vida também pode ser feita de romance e amor, daqueles que só imaginamos em livros! Amei conhecer esta história :)

Agora o segundo ponto que eu queria colocar aqui no blog é sobre a Sia. Quando ouvi a música Chandelier, achei que fosse mais uma música pop bobinha que fica na cabeça. Mas, prestando atenção à letra, percebi que ela não tem nada de bobinha. Coloquei parte da letra aqui:

" (...) Sun is up, I'm a mess
Gotta get out now, gotta run from this
Here comes the shame, here comes the shame

1, 2, 3 1, 2, 3 drink
 I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier
I'm gonna live like tomorrow doesn't exist
I'm gonna fly like a bird through the night
Feel my tears as they dry

And I'm holding on for dear life
Won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight (...)"

Mas o que me deixou passado mesmo foi quando eu vi o clipe. Ele é simplesmente incrível! Há muito tempo eu não via um vídeo com uma linguagem artística tão forte:



É emocionante ver a dança tão bem explorada como forma de arte. Eu fiquei realmente tocado assistindo ao clipe. A coreografia é perfeita e a dançarina é mais que perfeita. E o que é mais surpreendente de tudo: ela tem 12 anos. Isso mesmo, 12 anos!

Ela se chama Maddie Ziegler e começou a dançar aos 2 anos (tipo, oi?!!!). Foi descoberta em um reality show bem trash, chamado Dancing Moms, e tem uma expressão corporal de deixar qualquer um passado! Tanto que a Sia apostou novamente nela para o clipe de Elastic Heart:



Tanto a música como o clipe são novamente fora de série! Desta vez ela contracena com o Shia LaBoeuf que é super lindo e está absolutamente tudo no clip. De tão forte que é a interpretação dos dois, o vídeo até incomoda um pouco.

Vale a pena prestar atenção na letra para entender a lógica da coreografia (que é novamente perfeita). Coloquei uma parte da letra aqui no post:

"And another one bites the dust
Oh why can I not conquer love?
And I might have thought that we were one
Wanted to fight this war without weapons

And I wanted it, I wanted it bad
But there were so many red flags
Now another one bites the dust
Yeah, let's be clear, I'll trust no one

You did not break me
I'm still fighting for peace

Well, I've got thick skin and an elastic heart,
But your blade—it might be too sharp
I'm like a rubber band until you pull too hard,
I may snap and I move fast
But you won't see me fall apart
'Cause I've got an elastic heart (...)"

Engraçado que, de uma forma, os dois assuntos têm a ver com performance artística. Acho que quando são bem feitas, conceituadas, elas se tornam realmente bem especiais :)


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