30 de junho de 2014

As loucuras dos amantes do denim

É engraçado ... Quem se familiariza com o jeans se apaixona rapidamente pelo produto. E,  cada vez mais, marcas e empresas super especializadas têm oferecido a estes consumidores produtos incríveis e um nível de informação apaixonante.

Ao invés de fits da moda, cores da estação, para os denim maníacos o assunto é sempre o mesmo: o jeans. E o que eles reverenciam é a principal característica do  produto: o fato dele se desgastar conforme o uso, dando uma personalidade única para cada peça.

No começo dos anos 80, o tecido desbotava sem parar. Pelo relato de muitas pessoas (sou novo, não vivi esta época...rsrs) as calças jeans (ou calças Lee como eram chamadas) tinham que ser lavadas separadas das outras peças de tanto que desbotava (dizem que a água ficava totalmente azul).  Este rápido desbote dava às pecas este aspecto tão legal :

Foto original da série Anjos da Lei, de 1987

Olha a jaqueta e a calça nesta foto da série Anjos da Lei, do final dos anos 80. De tanto usar e lavar, a peça desbotou de uma maneira única, registrando os momentos que as pessoas viveram com elas.

O máximo, não?! Nem tanto.. o desbote passou a ser visto como um defeito, um problema a ser resolvido, pois além de manchar as outras peças (além dos sofás, paredes, etc.) as peças perdiam rapidamente o aspecto original. Assim, a indústria encontrou formas de parar este desbote no próprio tecido, com processos de acabamento e resinas, ou na peça pronta, com lavagens especiais na finalização do produto.

Mas muita gente curtia este lance do desbote e estas pessoas, pouco a pouco, foram ganhando espaço no mercado, um novo nicho, o dos apaixonados por denim.

Algumas marcas passaram a se posicionar para este mercado e oferecer produtos que desbotam sim. Mas não por falta de qualidade, simplesmente por escolha. Assim, ao invés do processo de desbocamento sem controle dos anos 80, os produtos passaram a oferecer um processo com uma cara mais natural, slow, algo mais sofisticado e requintado.

Empresas como a sueca Nudie dedicam um grande espaço em seu site e nas lojas para os produtos que têm esta característica. Lá no site deles tem um guia super completo para saber como tratar, cuidar e até indicações de como lavar as calças jeans.

Olha que legal estas imagens, mostrando como a cor vai caindo com o uso e o passar do tempo:






Estas imagens são para o uso constante da calça (tipo 4 a 5 vezes por semana) e veja que eles recomendam a lavagem SOMENTE após 8 meses de uso. Sim, isso mesmo que você leu... 8 meses. Usa quase todo dia e só lava depois do oitavo mês. E realmente, é gritante a diferença antes e depois da lavagem.

Sim, eu sei que para nós brasileiros dá um "nojinho" pensar em não lavar a calça por tanto tempo, mas é isso aí. Quando lavamos, meio que agredimos a peça e o processo "natural" de desbote fica comprometido. Recentemente, o presidente da Levi's chocou a todos quando apresentou este conceito. Mas é algo que veio para ficar, veja pelas palavras dele:

No site da Nudie há também um guia que mostra quando você deve lavar a sua calça jeans para ter este efeito tão cool:



Note que a primeira pergunta é se o seu jeans já foi amaciado ou pré-lavado antes de você comprar. Se foi, ele não desbotará mais e não terá o efeito que você quer. Aí você pode lavar quantas vezes quiser.  Uma pena que a maior parte dos jeans aqui no Brasil já vem amaciado. Se quiser comprar um jeans deste tipo, é melhor procurar por opções lá fora. Uma forma de você ver se o tecido está desbotando bastante é esfregando uma folha branca para ver se sai pouco ou muito manchado. Mas, mesmo assim, não é garantido. É melhor perguntar ao vendedor ou ver se a peça faz parte de uma linha especial.

E o interessante é que eles até dão umas dicas de como tirar o cheiro (se a peça estiver com cheiro de suor) e as manchas (que, na verdade, você pode deixar).

Mas toda esta história vale a pena! Olha o visual incrível destas calças:


Usada por 12 meses, 2 lavagens

Usada por 24 meses, 3 lavagens
A Livid Jeans oferece aos seus clientes um serviço de até três reparos completos nas calças que eles vendem (todas com este conceito especial de desbote) para remendar buracos, furos e coisas do tipo. Aí eles aproveitam as calças mais legais e contam um pouquinho da história delas no blog deles. Vai dizer que não é legal?!

Vale ressaltar quando você for comprar esta peça que o mais indicado são tecidos premium, de preferência mais pesados e 100% algodão. Sim, você pode sentir um pouco de falta do elastano no começo mas o conforto acaba melhorando com o uso, quando o tecido fica mais amaciado e adaptado ao corpo.

Para terminar esta matéria, quero colocar uma curiosidade: olha este tutorial para fazer em casa a lavagem ácida (marmorizada), típica dos anos 80. Ele usa uma mistura de água com água sanitária. (50% de cada) e borrifa em partes da peça. Depois seca com secador de cabelo para controlar os padrões das manchas. E lava na máquina normal... Vale a pena ver para acompanhar como é o processo. Só não é muito indicado pois o uso deste produto pode destruir o tecido e o tiro acaba saindo pela culatra.  De qualquer forma, é interessante e vale a pena assistir (sorry, não achei com legenda. Mas dá para entender..)




26 de junho de 2014

4 Livros, 1 Filme

Sim, andei meio sumido do blog mas é até por um bom motivo...Ando numa fase especial, onde tenho dedicado muito tempo à cultura e resolvi falar de 4 livros e 1 filme, trabalhos que conheci neste último mês...

Um livro que me tocou muito foi o "Por favor, cuide da mamãe". Ele conta a história de uma mãe que se perde numa estação de metrô de Seul. A narrativa é super sensível e conta a história de uma mulher simples que dedica toda a sua vida aos filhos.



Dividido em 4 partes, o livro apresenta a visão da busca pela mãe a partir do ponto de vista da filha, do filho, do pai e da própria mãe. Cada um vai contando o que sente e o que lembra da mãe e tanto o pai como os filhos percebem momentos em que deixaram de prestar atenção às necessidades da mãe, tão acostumados estavam com a preocupação vir sempre da parte dela. Extremamente tocante e muito especial. Super recomendo!

Outro livro que me surpreendeu foi "Memórias do Subsolo", do Dostoievski. Pelo título (e por ser Dostoievski) achei que seria um livro pesado, difícil. É simplesmente o contrário disso!

É uma narrativa em primeira pessoa de uma personagem relembrando suas principas dúvidas e questionamentos em relação a sua vida. Mesmo tendo sido escrito por volta de 1870, o livro mais parece uma compilação de sessões de terapia onde o leitor assume o papel de terapeuta, ouvindo todos os pontos de vista e questões que a personagem apresenta numa narrativa contínua, sem pausa alguma, onde vai expondo o que pensou e como se sentiu em cada acontecimento.



Em algumas partes, o livro chega a ser hilário com relatos e medos super banais que tornam a leitura leve durante todo o texto. Mas, como não deixa de ser Dostoiévski, é profundo e interessante em diversos pontos do livro. Riquíssimo! Pra quem está curtindo a série "Sessões de Terapia", este livro é um prato cheio!

Agora o livro que me deixou extremamente surpreso foi "Fim" da Fernanda Torres. O livro todo é ótimo! Super fácil de ler e com um texto inteligente, rápido e criativo. Ao contar a história de 5 amigos que, em determinado momento, encontram o fim de suas vidas, o livro mostra as visões destes amigos sobre si e sobre os outros, na perspectiva de cada um dos 5 - e também das outras personagens que participam das histórias. O resultado é um texto rico, onde temos fatos que se cruzam e se contradizem em versões distintas mas que, ao mesmo tempo, se complementam e permitem que criemos uma percepção completa da história, como se estivéssemos em uma roda de fofocas, ouvindo "baphos" o tempo todo.


E o legal é que os 5 personagens principais têm características e percepções de vida bem diferentes e todas apresentam o seu ponto de vista em relação ao que enxergam como sentido da vida e como vêem suas próprias fraquezas... Li em 4 dias! E fiquei extremamente bem impressionado!

Agora um livro que me decepcionou foi "Benjamin" de Chico Buarque. Por ele escrever letras de músicas tão lindas, imaginei que um romance dele seria simplesmente incrível... Só que não! #sqn

O texto é extremamente chato, a história pouco criativa e, em nenhum momento, criei empatia por algum personagem. A história é contada de uma forma distante, impessoal, com um texto extremamente descritivo - especialmente em momentos que não precisaria ser. A impressão é que pretende ser inteligente e interessante, mas não passa de algo pretensioso, com um tom super wannabe. E, mesmo não tendo nada contra previsibilidade, o fim é tão previsível e sem-graça que quase dá vontade de chorar (por ter perdido tempo lendo o livro). Enfim, nem tudo são flores...rsrs



Agora, assisti a um filme sobre um livro que eu tinha curiosidade em ler: "A Culpa é das Estrelas". Decidi que não vou ler o livro, Não pela história, ela é, diferente de Benjamin, linda e rica, extremamente emocionante, sem cair no melodrama. 

Mas o filme é difícil (em momentos parece uma tortura, como "Dançando no Escuro") mas, diferente do filme de Lars Von Trier, há uma mensagem positiva no filme. É uma história triste, só isso. Mas que tem momentos de extrema beleza que mostram como é possível ser feliz, vivendo o agora. E o balanço é positivo pois se tirarmos o lado triste da história, vemos que é, na verdade, uma história de amor lindíssima. Não daquelas tradicionais, onde tudo é perfeito e acaba bem no final, mas algo mais real, imperfeito. Super recomendo. Olha o trailer do filme, que fofo! Nele já dá para ver que é um filme especial:



Mas leve lenço, pois não há como não chorar no filme. E, mesmo decidindo não ler o livro para me poupar, fiquei nteressadíssimo nos outros trabalhos dele :)