26 de março de 2013

7 For All Mankind se une a James Franco para campanha 2.0

A 7 For All Mankind, uma das principais marcas de jeans premium no mundo, acabou de lançar a sua nova campanha "A Beautiful Odyssey" com foco total nas redes sociais.

A principal ação é uma votação que eles estão fazendo na sua página no Facebook para que os internautas decidam o final do vídeo conceito da coleção. O legal é que o vídeo foi concebido e dirigido pelo lindinho do James Franco que vira e mexe participa de alguma ação no mundo da moda.

Imagem da campanha


O que não é tão legal assim é que os vídeos são super curtos e as pessoas podem, basicamente, interagir em apenas quatro capítulos, ambos com cerca de 40 segundos de duração. Se esta campanha tivesse sido lançada em 2003, eu entenderia esta interatividade tão baixa, afinal, a tecnologia era bem limitada. Hoje, acho que eles poderiam ter ido muito além.

Veja o primeiro capítulo (de apenas quatro da "saga"):



Os vídeos são bonitos, com uma cara bem jeanswear. Mas parecem muito mais uma versão backstage das fotos da campanha do que um curta metragem. A história, aparentemente, é de uma noiva que, próximo do seu grande dia, encontra um ex-amante e fica na dúvida sobre com quem vai ficar. Aí as pessoas ajudam a decidir com quem ela fica. Convenhamos, uma história bem bobinha e sem graça. Sobretudo se considerarmos que a inspiração dos vídeos é a poesia de William Blake e a visão artística de Franco. De verdade, não consegui encontrar nada muito abstrato ou conceitual nos vídeos. Tudo o que vi foram imagens  lindas, características de campanhas normais de moda jeanswear.

Veja aqui o segundo capítulo. Os últimos dois devem ser lançados nas próximas semanas no próprio Facebook, com partes do roteiro sendo decidido pela maioria:



De uma forma geral, achei a ação bem sem graça, ainda mais se compararmos com campanhas de marcas
semelhantes como a Diesel com a ação onde chamaram os consumidores a enviarem pelo site da empresa vídeos com o espírito da campanha "Be Stupid" ou a Levi´s com a sua campanha incrível Waterless, uma superação de Marketing 2.0 com um toque sustentável. Já falei de ambas aqui no blog. Basta clicar nos textos sublinhados para ver os posts.

Mas nem tudo está perdido! Uma ação secundária, planejada para divulgar o Pinterest da 7 For All Mankind, acabou, na minha opinião, salvando a estratégia de lançamento da empresa. Ela consiste em um concurso onde a marca irá presentear com uma viagem para Los Angeles para o lançamento do vídeo final o internauta que montar o melhor board (quadro) no Pinterest inspirado no tema "A Beautiful Odyssey", principal inspiração da coleção.

Foto do backstage das filmagens e fotos

Para participar é simples: basta seguir a página da campanha no Pinterest, "repinar" a imagem do concurso e mais 4 imagens do quadro desta página em um painel chamado "A Beautiful Odyssey" no seu próprio Pinterest. Ah, a pessoa tem ainda que preencher um cadastro no site da marca. Depois basta ir colocando fotos que representem o amor no dia a dia para rechear o seu board. Legal, né?!

Não encontrei quais os critérios que vão usar para escolher o vencedor mas achei o exercício bem legal e interessante. E muito mais interativo que a ação no Facebook que, sinceramente, está mais para um "Você Decide" da Globo nos anos 90 que uma ação de marketing 2.0.

Ah, um detalhe estranho. Apesar da 7 For All Mankind ter loja no Brasil, não aparece nenhuma opção para selecionar quando entramos no site. Nem Brasil e nem America Latina....Selecionei North America por ser a mais próxima...

James Franco curtindo as filmagens...

20 de março de 2013

Burberry lança loja interativa e conecta mundo online e offline de forma inédita

Ainda hoje é difícil saber como e se realmente vale a pena investir pesado nas mídias sociais. É comum pensar que marcas com consumo diretamente ligado às massas sejam as mais interessadas em investir no mundo das redes sociais, apresentando diretamente o seu produto para os seus consumidores, travando um diálogo direto com o seu público.

No entanto, é engraçado perceber que um dos melhores exemplos de investimento em mídias sociais venha de uma marca de super luxo, restrita a um grupo pequeno e exclusivo de consumidores: a Burberry. Com ações incríveis em praticamente todas as redes sociais, a empresa tem continuamente lançado ações de Marketing que tem captado a atenção de quem estuda e pesquisa o assunto.

Foto de campanha da Burberry


Logo de cara, percebemos que a intenção da Burberry não é vender produtos ou ter um tête-a-tête com os seus consumidores pelas redes sociais. A intenção é outra. É tornar a marca cada vez mais falada e desejada na sociedade. Para isto, lança continuamente ações para provocar o desejo e chamar a atenção de todos os consumidores para os seus produtos e para as suas ações de Marketing, ambos impecáveis e com um alto padrão de qualidade (típico da marca).

No seu canal no You Tube a empresa apresenta diversos vídeos referentes às suas campanhas e até fez o live streaming do último desfile de sua coleção. Ao todo, a marca já passou dos 13 milhões de views no perfil da empresa, um número excelente!

Além disto, a empresa tem uma conta no Instagram que já conta com quase 800 mil seguidores. Nela, fotos de backstage em tempo real, fotos de produtos em primeira mão, imagens de celebridades com produtos da marca , ações que desperta em todos os seguidores um sentimento de admiração e desejo que tem sustentado a diferenciação da marca premium no mercado há décadas.

Foto da página da Burberry no Instagram


Por isto, é fácil perceber que hoje, mais do que a padronagem característica de xadrez, os produtos e a marca têm conquistado fãs em todo o mundo (especialmente na Ásia, onde ela investe pesado, como já comentei aqui no blog quando falei do evento incrível de lançamento que eles fizeram em Shanghai, lembra?). Mas, como não poderia ser diferente, o foco principal das ações da marca é o Facebook onde sua página conta com quase 15 milhões de pessoas conectadas.

Bom, no fim do ano passado ela lançou uma ação inovadora: uma loja totalmente conectada à internet. Um prédio antigo e muito lindo da famosa Regent Street em Londres foi totalmente remodelado para acomodar a primeira loja do tipo da marca (na verdade, acho que é a primeira loja do gênero no mundo).

Fachada incrível da loja na Regent Street em Londres

Interior da loja, com vídeos e espelhos interativos

Veja nos dois vídeos abaixo como ela funciona. Há telões e painéis visuais impactantes que mostram os vídeos feitos pela Burberry que estão sendo visualizados na internet. Espelhos interativos trazem fotos e informações de produtos da internet para os produtos físicos expostos na sua frente. Assim, se você provar um casaco, além de ver como ele ficou, você pode ver outras cores, sugestões de combinações, uma mistura inédita de mundos online e offline.. em resumo, #umaloucura! E não para por aí! Bolsas e acessórios especiais ativam vídeos que falam sobre o processo artesanal de produção, explicando para o consumidor os motivos que tornam aquele produto tão especial (e caro!).

Esta é uma introdução rápida sobre o conceito:


E este é um vídeo um pouquinho mas longo que mostra a loja em funcionamento normal. Vale a pena conferir!



Apesar de legais, as ações de interação entre online e offline da loja ainda são tímidas. Mas, sem nenhuma dúvida, a Burberry deve trazer cada vez mais novidades. E logo, afinal, ela deixou bem claro que o investimento na internet e em mídias sociais é prioritário para a empresa.

No fim, podemos concluir que é tudo uma grande lição de Branding da Burberry que cada vez mais tem se fixado como marca premium nos consumidores de todo o mundo, sobretudo nos mais jovens, hiperconectados às redes sociais. É... mesmo com os seus mais de 150 anos de idade, a Burberry tem apresentado um espírito mais jovem do que nunca!

14 de março de 2013

Um blog sobre cartas ...


Olha que legal este blog que descobri hoje! Ele apresenta “cartas memoráveis” escritas em diversos tempos e estados de espírito por pessoas (personalidades ou não) do mundo real. Não, aqui não valem cartas fictícias de personagens. Todas as histórias e todos os sentimentos são reais. Cada carta é um post e contém a imagem da carta original (a maior parte foi escrita à mão). Para cada uma, o blog traz um texto contextualizando o momento e a situação em que a carta foi escrita e uma transcrição completa do texto (algo super necessário, afinal, nem sempre é fácil entender a letra das pessoas).

A primeira carta que li é a famosa carta de suicídio da Virginia Woolf. Lindíssima! Fiquei até emocionado em ver a imagem da carta original, escrita á mão, em uma letra conturbada e de difícil compreensão. Já falei sobre esta carta aqui no blog, quando falei do filme “As Horas”.

Imagem da carta de suicídio de Virginia Woolf


No blog descobri outras histórias igualmente interessantes, como a que o ex-escravo Jourdon Anderson ditou e enviou para o seu antigo “dono” Coronel P H Anderson. Logo após o fim da escravidão, esperando encontrar o seu antigo escravo na miséria e em difíceis condições de sobrevivência, o coronel escreveu uma carta ao seu antigo escravo pedindo que voltasse a trabalhar em sua fazenda, agora como homem livre.

A realidade de Jourdan, contudo, era bem diferente da que o tal coronel esperava. Ele estava empregado e com um salário digno o suficiente para sustentar a casa e oferecer educação para os seus filhos. A carta de resposta que Jourdon escreveu ao patrão é simplesmente brilhante! De maneira humilde, conta sobre as boas condições que vive atualmente e em como se sentiria bem em rever algumas pessoas da casa onde ele e a mulher trabalharam como escravos por mais de 20 anos. Ele, então, se mostra surpreso com o interesse do seu “antigo dono” (a carta se chama “To my old master”) e diz que consideraria voltar sim, se ele se comprometesse a oferecer provas de sinceridade das suas intenções.

Foto de escravos americanos


A partir daí ele começa listando todos os maus que sofreu enquanto esteve sob seu domínio. E a descrição é feita de uma maneira sincera e direta. Primeiro, ele fala que para acreditar na “sinceridade” dos bons atos, pede que o coronel envie o pagamento de todos os anos que ele e a mulher trabalharam para a família (sim, ele somou os valores e apresentou a conta!). Depois ele pede que ele dê a sua palavra de que nada de mal iria acontecer às suas filhas mais novas, já que as mais velhas tinham sido violentadas pelos filhos do tal coronel e ver isto acontecer de novo é algo que ele não conseguiria aceitar. E ele termina a carta pedindo que mande lembranças a um outro funcionário que fez com que o coronel parasse de atirar nele enquanto ele ainda era escravo e que, se não fosse por ele, provavelmente não estaria vivo. Uma resposta muito bem dada.  O texto original da carta é realmente tocante e, quem puder, leia o original aqui.  

Outra carta surpreendente que li foi a do escritor Charles Bukowski para o editor John Martin que em 1969 ofereceu ao então aspirante a escritor e funcionário dos Correios um salário mensal e vitalício de 100 dólares para que ele largasse o seu emprego e dedicasse a sua vida a escrever. Na carta de agradecimento escrita anos mais tarde, Charles agradece John por ter oferecido a ele esta oportunidade que libertou a sua alma. No texto, Bukowski descreve como se sentia preso e sufocado na rotina do trabalho sem fim, com pouco reconhecimento e sem sentido que praticamente esvaziava a sua vida e a de todos que são obrigados pela vida a se submeter ao que ele chama de “nova forma de escravidão, que deixou de ser somente com os negros e passou para todas as etnias”. O texto é muito interessante e nos faz pensar sobre a nossa vida moderna. Vale a leitura!

Charles Bukowski


Uma carta divertida que eu li foi a resposta do vocalista do Green Day a uma carta de uma mãe (daquelas típicas mães moralistas, meio patéticas e que acham que sabem tudo) que eles receberam censurando-os por criar uma música tão pessimista e pra baixo. Ela inclusive enviou a fita de volta para eles, falando que o produto não era digno de ser consumido por ela ou por sua família. Termina falando que o que eles fazem não é arte e que ele devia pensar nas crianças e jovens que ouvem a sua música na hora de escrever.  A resposta dele foi ótima! Ele escreveu que ele não escreve música para o filho dela ou para a avó dela, mas para ele mesmo e  que ele vai escrever sobre o que quiser. Depois ele fala que gente como ela é agressiva e ofensiva e que ele fica feliz por saber que ela não vai mais comprar os seus álbuns E conclui, dizendo “esta é a diferença entre nós. Eu faço o que eu quero. Você faz o que os outros mandam você fazer”.  . Hehe .. adoro um bafo! No post tem as duas cartas. 

Green Day


Por último, vou falar da carta que a mulher de Aldous Huxley escreveu para Julian, seu irmão mais velho. Nela, ela fala detalhadamente (a carta é beeeem longa) sobre os últimos dias do famoso escritor que estava sofrendo com o câncer. Lendo a carta, percebemos a intimidade e o amor que eles tinham. E como foi difícil para ela ser forte e racionalizar todo o processo de morte dele. Muito legal o momento que ela como, mesmo nas últimas semanas e tendo piorado muito, Huxley se negava a pensar e a discutir sobre a morte. Sempre falava da vida, de planos futuros. “Mais tarde eu faço” é uma frase que ele passou a dizer cada vez mais. E ela, com muito amor, percebeu que era o sinal de que ele não conseguia mais fazer o que lhe era pedido e, ao invés de admitir a fraqueza, fingia querer postergar a ação. O mais tocante da carta é quando ela descreve as horas finais de vida do escritor, quando ela ficou acalmando-o, falando que ele iria encontrar somente amor, que seria muito feliz e que podia ir sem medo. Muito fofo justamente por mostrar um amor tão tocante entre eles.Veja aqui! Mas aviso: a carta é longaaaa!

A famosa foto de Aldous Hukley

Aproveitando: vale a pena ler o post que escrevi sobre "Admirável Mundo Novo" aqui no blog. O livro é incrível e super recomendo a todos!

Amei o blog e resolvi que vou lê-lo com paciência, como se fosse um bom livro de contos. E também me fez pensar em como perdemos o hábito de escrever cartas, não?! Não precisa nem ser à mão, pode ser por e-mail mesmo.. mas quantos e-mails realmente escrevemos, com textos semelhantes às antigas cartas que escrevíamos às pessoas queridas, contando nossas novidades e compartilhando os nossos sentimentos?  Este é, com certeza, um hábito do “mundo antigo” que vale a pena manter...O que você acha? Comenta aqui no blog..

Infelizmente o blog é em inglês e o conteúdo só é disponível para quem entende o idioma.. mas, mesmo assim, quem puder acesse. E leia com calma. Como se as cartas fossem para você!

8 de março de 2013

BWGH, um mix de moda e arte muito original


Navegando pelo site da loja sempre cool Colette, descobri uma marca, ou um coletivo, ou um conceito (na verdade nem sei como rotular...rsrs..) chamado BWGH, abreviação de Brooklyn We Go Hard.

Formado por dois criadores franceses apaixonados por fotos e moda, o BWGH foca no streetwear, propondo roupas para pessoas que vivem em cidades grandes, com diversas referências culturais O Brooklyn no nome não é por acaso. Eles começaram a marca lançando camisetas estampadas com fotos que eles tiraram neste bairro cool de NY e decidiram colocar como nome da marca por acreditarem que ele é uma ótima representação do estilo de vida moderno, multicultural e urbano.


Foto do catálogo de outono da BWGH


Os artistas acreditam na força do coletivo para a criação e se juntaram a um grupo de fotógrafos jovens para montar o material promocional da marca e para a edição de revistas de moda, criadas para divulgar o trabalho artístico das fotos e as roupas da marca.

Esta forma inovadora de juntar arte e moda, tanto na criação como na divulgação, é o que chamou a minha atenção e que me motivou a falar deles aqui no blog. E também a qualidade do material artístico que eles usam para divulgar a coleção. Tudo tem um ar artístico muito forte e o resultado é plasticamente incrível.

Foto do catálogo de outono da BWGH

Para divulgar as coleções, eles investem na criação de vídeos publicitários com uma fotografia impecável. As roupas aparecem de maneira natural mas chamam a atenção justamente por sabermos que o vídeo traz a coleção nova.

Gostei muito deste formato inovador de divulgação. É diferente, tem cara de novo e tem tudo a ver com o mundo 2.0, já que as pessoas podem compartilhar e comentar. Só um detalhe: para dar certo, precisa do olhar artístico. Senão, fica com cara de making of de foto de catálogo, o que já é bem batido.

Veja que legal o vídeo abaixo da coleção de Inverno 2013:


BWGH - OUROUK FALL/WINTER 2012 from Brooklyn We Go Hard (BWGH) on Vimeo.


Além dos vídeos, eles têm ideias bem interessantes. No vídeo a seguir, eles mostram uma camiseta, onde ao invés de processos de estamparia, eles fizeram uma revelação de fotos, usando a camiseta no lugar do papel. Não dá para saber se o processo foi este mesmo.. eu acho que não, afinal, não sei se tecnicamente daria certo.. mas se desse e se for verdade, é bem legal. De qualquer forma, acredito que eles fizeram o material para divulgar a coleção de camisetas com fotos artísticas que eles chamam de "snapshots collection":



BWGH - Introduction from Brooklyn We Go Hard (BWGH) on Vimeo.

Curti muito também o fato deles terem feito duas versões do catálogo da coleção de inverno: uma com modelos e locação e outra com as mesmas roupas só que com homens mais velhos, mostrando que as roupas podem ser usadas por pessoas de todas as idades mantendo o quê de modernidade, transgressão e jovialidade, tão característicos da moda streetwear. Veja na foto abaixo, o mesmo modelo de roupa fotografado com conceitos diferentes nos dois catálogos:

fotos dos catálogos de outono da BWGH
Foto do catálogo de outono da BWGH


Todo este frescor e modernidade da marca tem chamado a atenção do mercado. Tanto que a BWGH já fez parceria com os três grandes players do varejo de moda na França. Em pouco mais de 2 anos, já lançaram uma linha de produtos exclusivos na Colette e na Kitsuné e uma ação bem especial na Le Bon Marché, com exposição de fotos dos artistas da marca e uma camiseta com tiragem de apenas 100 unidades, estampada com a foto da Le Bon Marché. Chique!

Parcerias da BWGH com grandes empresas do varejo de moda na França