15 de setembro de 2013

O novo olhar de Frances

Já faz algum tempo que assisti Frances Ha no cinema mas resolvi escrever aqui no blog sobre o filme. É que ele me tocou de uma forma especial e não saiu da minha cabeça desde então. Sim, quem já assistiu pode pensar, "ah, não é para tudo isso", "não tem nada demais", etc. mas, para mim, foi um filme muito especial que eu amei ter assistido.

Acho que o filme tenha me interessado tanto porque, ao invés de focar nas trapalhadas da personagem principal (que ailás, não tem como não achar divertido e rir muito) e achar que o filme é bonitinho, simples e com um final fofo, resolvi pensar na mensagem do filme.

Frances é uma jovem que está perdida e dividida entre o desejo de sucesso e de ser reconhecida no que faz e viver conforme a sua personalidade única, de uma pessoa que não consegue deixar de ser 100% sincera em relação aos seus desejos e pensamentos. Aí ela acaba, invariavelmente, ficando para trás. Isto fica claro no filme quando há a separação dela da amiga "incrível" que resolve trocar Frances pelo primeiro cara que pode oferecer para ela os recursos para se tornar bem-sucedida com a vida que ela e, de uma forma geral, todos almejam ter.

Justamente por se recusar a entrar nesta espécie de transe no qual todos os jovens acabam cedendo e se ajustando para conseguir o tão desejado sucesso profissional e pessoal, Frances é uma personagem tão especial. Senti um misto de esperança e aflição ao ver como as coisas pareciam dar errado todas as vezes que ela se negava a ceder para se enquadrar. Estes eram os momentos mais legais do filme pois é quando ela expressava seus pensamentos complexos e geniais, como nesta parte onde ela fala como ela espera encontrar o amor na vida. Muito fofo!



Ou a sequência incrível com "Modern Love" do  David Bowie com ela dançando feliz pelas ruas de NY. Não encontrei a cena no You Tube mas achei uma versão feita por algumas alunas de dança da California (é, acho que este filme não foi marcante só para mim...):



O melhor do filme é mostrar que, mesmo com tudo saindo diferente do que ela esperava, ela consegue encontrar a realização sem se desconectar de si mesma. Ainda que isto signifique que ela tenha que se resignar e ajustar as suas expectativas para uma realidade que, apesar de não ser a ideal, é a melhor que ela podia viver. Ah, a cena final que mostra esta adaptação e explica o nome do filme é genial!

Acho que a grande mensagem do filme é essa paz que ela encontra. Tudo saiu completamente diferente do que ela esperava, do que é considerado até hoje como uma vida de "sucesso" mas foi a forma que ela encontrou para ser 100% fiel ao que desejava, queria e acreditava. E que é possível ser feliz assim. Acho que Frances Ha é uma forma de mostrar como podemos enxergar o mundo com "óculos" do século XXI, uma século novo, onde precisamos repensar e redefinir o conceito de sucesso nas nossas vidas.

O famoso vídeo "All Work and Play" (abaixo) do estúdio 1824 fala um pouco disso, focando na importância de se fazer o que se gosta e não focar no status profissional, mas acho que ele ainda tem, no fundo da mensagem, um conceito de sucesso ultrapassado, onde ele espera que as pessoas consigam fazer o que gostam e consigam o mesmo tipo de sucesso e reconhecimento que as pessoas tinham no passado. Assim, elas só seguiriam um caminho diferente para o mesmo sucesso. Algo que acho um pouco utópico, reservado para poucos. Acho que a maioria das pessoas deve pensar no exemplo de Frances que aprendeu a se perceber feliz. Bom, de qualquer forma, é um filme divertidíssimo e interessante. Daqueles que você vê e revê dezenas de vezes :)





26 de agosto de 2013

Kafka, Hannah e Joshua

Li e assisti três obras ótimas recentemente e queria escrever sobre elas aqui no blog. Mas não queria fazer uma espécie de crítica. Queria, na verdade, falar sobre o que entendi e senti de cada uma delas. E a melhor forma de fazer isto seria colocá-las num contexto mais amplo. Aí pensei, pensei, pensei e resolvi que a melhor forma seria encontrar um link entre elas e montar um texto único. E é o que estou tentando fazer aqui. Espero que gostem :)

Bom, primeiro vou falar sobre "O Processo" do Kafka. É bom começar falando que acho Kafka o máximo! Eu tinha a impressão (como percebo que a maioria das pessoas também tem) de que os seus textos eram filosóficos, intelectualizados demais. Mas, quando comecei a ler alguns contos (inclusive o mega famoso "A Metamorfose") percebi que, na verdade, é super fácil ler e acompanhar a história. Sim, elas são profundas e rendem uma série de conclusões e debates. Mas também são fáceis de ler e entender. E os questionamentos que trazem são interessantes, ricos e, principalmente, atuais. E, neste sentido, acho que "O Processo" é a melhor obra que li dele até então.



Um dia, sem mais nem menos, Josef K., um homem de 30 anos, bem sucedido em uma carreira em ascensão, é acordado pela polícia, avisado que está sendo processado. Quando é levado ao juiz, ele o avisa sobre o processo e diz que ele deverá preparar a sua defesa. Josef procura de todos os modos descobrir o motivo pelo qual está sendo processado e isto não lhe é dito em nenhum momento. Dá até um pouco de angústia no começo do livro, pois a personagem passa mesmo um sentimento de aflição e revolta contra esta posição. Mas quando ele resolve se armar e se defender mesmo assim, e começa a correr atrás de uma solução para um problema que ele sequer sabe qual é, percebi que Kafka quis falar mesmo é desta burocracia moderna que a vida das pessoas tende a se transformar.

Josef era um homem bem sucedido que vinha seguindo uma carreira previamente planejada, onde tudo acontecia conforme o esperado. Acredito que o fato de Kafka ter colocado um aviso de que ele seria julgado em breve e de ter usado como exemplo toda a burocracia formal de um processo jurídico, ele quis simbolizar a falta de atenção e sentido nas vidas das pessoas que, sem perceber, acabam cumprindo um papel automático, passando etapas, terminando fases, seguindo um caminho reto que mal sabem onde vai dar.

Desta forma, no começo, Josef tenta encontrar o sentido do que está fazendo e por isto se revolta. Depois, se conforma e resolve seguir as leis e responder ao processo (e, sem perceber, volta a seguir um caminho ditado por outros, sem sentido para si). Aí ele luta contra toda a burocracia (esta parte é demonstrada em diálogos interessantíssimos dele com o seu advogado de defesa e com um padre numa igreja) mas , depois de algum tempo, Josef sucumbe e se rende entregando, literalmente, a sua vida. Sei que o final do livro parece um pouco dramático e deprê mas achei razoável e inteligente. E não consigo imaginar um final melhor.

Kafka mostrou, então, não só que Josef vivia numa vida sem sentido, cumprindo um papel que não tinha nenhum significado para ele, como também que, ao ser questionado e pressionado a encontrar uma solução, saindo do modelo de vida que sempre seguiu, uma vida burocrática, racional e lógica, ele não consegue sair do labirinto que construiu para si mesmo. E desiste. Como se vê, uma questão ampla, complexa e, sobretudo, moderna.


Olha que legal: achei um link no You Tube com o filme feito por Orson Welles em 1962. E legendado em português! Vou assistir depois:



Este ponto sobre cumprir uma vida sem muito sentido, finalizando etapas, seguindo regras externas, sem questionar é o que liga com o segundo assunto deste post, o filme Hannah Arendt. Eu confesso que não sabia nada sobre a história dela ou do seu texto polêmico sobre o julgamento de Eichmann pós Holocausto. Mas fiquei impressionado e intrigado pelo assunto quando vi o filme. O filme é ótimo, biográfico e apresenta de forma linear toda a história. A atriz principal é boa (não é ótima, acho que um papel tão forte merecia uma interpretação mais marcante) e a produção tem alguns atores bem amadores o que desconcentra e irrita um pouco. Mas o conteúdo é tão interessante que todos estes problemas ficam em segundo plano.




Ao se candidatar a escrever sobre o julgamento para a The New Yorker, Hannah quis acompanhar de perto este momento histórico para tentar entender para si mesma o que leva o homem ao extremo do mal. Não sei se foi assim que aconteceu na vida real (mas no filme foi mostrado assim), mas achei genial quando ela chega à conclusão principal do seu texto ao ver Eichmann dizer que se sentia "fritando como um bife" naquele julgamento. Uma expressão extremamente comum que poderia ter sido dito por qualquer pessoa. Aí ela percebeu que a maldade mais extrema pode ser cometida pela mais comum das pessoas. E é a base do texto que ela escreve para a The New Yorker.

Ela cria uma teoria que mostra que o homem comum, aquele que segue ordens que lhe são passadas, é capaz de cumprir qualquer tarefa, sem distinguir o bem do mal. Que este homem acredita estar certo ao cumprir o que lhe é passado como obrigação e, ao fazer isto, faz o bem, pois faz o que é esperado dele. Mesmo que isto seja da maior crueldade possível.

Ao criar esta teoria, ela, de uma forma indireta, inocenta Eichmann pois afirma que ele fez o que fez simplesmente por não se questionar e só cumprir ordens. Isto, aliado com a discussão que ela cria sobre a possibilidade dos próprios judeus terem sido cúmplices ao cumprir tarefas que lhes eram passadas sem se questionarem se eram boas ou más, fez com que toda a comunidade judaica passasse a atacar o texto e a própria Hannah.

Este ponto de vista é interessantíssimo pois mostra como o mal pode ser algo extremamente banal. E que pode ser feito por qualquer um, basta cumprir ordens sem questionar. Alguém como Josef K. que segue uma vida programada, sem se preocupar com o sentido que aquilo realmente tem para ele. Alguém que segue uma vida burocrática moderna, trabalhando 40 horas por semana, cumprindo metas, fechando ciclos. Qualquer um. Para o bem ou para o mal.

A solução, segundo Hannah, é a vigilância constante dos seus atos, dos seus passos. Saber o que está fazendo, para quê, para quem. Afinal, o trabalho que se cumpre, traz qual retorno para você? E para quem mais? Para qual fim?

Sei que parece um pouco filosófico demais mas fiquei muito impressionado com o filme. Inteligentíssimo. E, ao mostrar esta discussão complexa de uma maneira tão clara, fez com que eu gostasse muito do filme. E passei a indicar a todos que conheço. Vale muito a pena ver.

Este questionamento é a ligação para o terceiro e último assunto deste post: o livro "Moonwalking with Einstein" de Joshua Foster. No Brasil o livro ganhou o título sem graça de "A Arte e a Ciência de Memorizar Tudo". Mas só o título é sem graça. O livro é muito bom.

Primeiro, é uma história verídica escrita em um texto jornalístico, muito fácil de ler. Joshua foi cobrir um campeonato de memória e ficou apaixonado pelo assunto. Conversando com um dos principais atletas, ele foi convidado a aprender técnicas de memorização para participar do campeonato no ano seguinte. Curioso, resolveu aceitar. E passou a pesquisar tudo sobre o assunto. O livro é um registro de tudo o que ele descobriu. E foi muita coisa...



Primeiro ele conta sobre as pesquisas científicas sobre memorização e sobre a história da memorização no mundo. Ambos temas são interessantíssimos e é uma delícia ler sobre eles. Depois ele fala sobre as técnicas de memorização que ele aprende e o desenrolar do seu treinamento e do campeonato que ele participa. Esta parte é um pouco menos interessante mas está muito bem escrita, o que torna muito fácil e gostoso ler até o final.

Mas o que mais valeu em todo o livro é o que ele tira das pesquisas científicas e, de uma forma incrível, traduz para o dia a dia. Duas conclusões muito legais que podemos adaptar facilmente às nossas vidas. A primeira é um pouco mais técnica mas é bem interessante:  quando queremos aperfeiçoar algo ao máximo em nossas vidas, temos que sair sempre da zona de conforto. Isto funciona mais ou menos assim:  quando começamos a praticar um esporte e somos muito ruins e, depois de muito treino, melhoramos muito e atingimos um desempenho bom, tendemos a aceitar este desempenho bom e fica difícil melhorar depois disto. É que o cérebro sabe que o resultado que atingimos é bom e ele se satisfaz com isto. Para resolver isto, devemos forçar o cérebro a achar este resultado novo ruim e estabelecer novos parâmetros. Para isto precisamos focar em melhorar os detalhes e estabelecer metas agressivas para mudar o padrão do cérebro.

A segunda dica é mais ampla mas um ótimo ensinamento. Ele diz que o cérebro marca a passagem do tempo pelas memórias novas que criamos. Por isto, quando somos crianças, aprendemos e vivenciamos coisas novas a todo momento. E o tempo parece passar devagar. E, depois, quando envelhecemos, parece passar rápido pois temos poucas novidades em nossa vida. Assim, viver uma vida automática, repetida, faz a percepção do tempo voar, sem percebermos direito. É fácil presumir, por exemplo, que antes de entrar em todo o stress do julgamento, a vida deve ter "voado" para Josef K. e que, para o bem ou para o mal, o próprio processo se tornou um novo marco na sua vida e fez com que ele passasse a vivenciá-la de uma maneira diferente.

Assim, Kafka, Hannah e Joshua concordam quando mostram a importância de questionarmos e agirmos ativamente no rumo que a vida segue, questionando e estando atento, presente, percebendo o que está acontecendo, quem estamos ajudando e para onde estamos indo. Uma questão muito contemporânea e relevante!

Ufa, foi difícil explicar a ligação que enxerguei nas três obras mas espero ter conseguido fazer sentido. E que tenham gostado :)

14 de agosto de 2013

Made in NY, 100% customizado


Parece que aquele mundo onde o Marketing seria super segmentado e os produtos customizados ao extremo, a ponto de ser único para cada consumidor, já se tornou realidade. Pelo menos, em Nova York.

Duas grandes marcas mundiais de moda oferecem um serviço de customização completo para os consumidores nova-iorquinos.



A loja da Converse do SoHo (560 Broadway) oferece a possibilidade de escolher a cor, fazer uma estampa ou desenho próprio e misturar os acessórios da forma que o consumidor quiser, chegando a um produto único. E o legal é que o mimo não custa tão caro. 70 dolares. E o tênis fica pronto no mesmo dia.

Loja da Converse no SoHo



Mas esta velocidade e preço têm um custo: há uma limitação de desenhos e cores que você pode escolher para aplicar no tênis. Ainda assim, com a quantidade de variantes, fica difícil encontrar algum tênis igual ou parecido com o que você criou.

Não está se sentindo criativo? Sem problemas! A loja é incrível e tem toda a coleção da Converse, inclusive de acessórios e peças de roupa (sim, eles têm uma coleção de jeans pequena mas muito legal.. Vale a pena conhecer).



Agora um serviço premium que vale a pena conhecer é o da Levi's no MeatPacking district. Eles oferecem a possibilidade de se criar a sua Levi's, 100% sua. Você primeiro escolhe o tecido. Depois o tipo de corte. Aí tiram as suas medidas (sim, vem uma espécie de alfaiate e tira todas as suas medidas) e, depois de alguns dias, você faz a prova da roupa.



É para escolher tudo mesmo.. até os aviamentos!


Você escolhe a lavagem e ate os botões e rebites da calça. Uma oportunidade única de ter a calça jeans dos sonhos! Mas, claro, que tem um custo: 750 dólares e 6 semanas de espera...

A loja é demais! Ela faz parte de uma nova marca da Levi's chamada Made and Crafted com peças mais artesanais, fits e lavagens para quem ama jeans. O ticket médio também é premium, com calças com preço médio ao redor de 180 dólares. A ambientação da loja remete ao começo do século XX, com um quê de cowboy e os shapes antigos da 501 aparecem em destaque, como forma de reverenciar a história da marca (por sinal, algo que a Levi's faz muito bem).




É, ter um produto 100% customizado pode não ser tão barato mas, pelo menos,já é possível. Quer dizer, para quem tem a sorte morar em NY...

12 de agosto de 2013

NY 40 graus

O termômetro marca 40 graus e anoitece depois das 9. Sim, o verão em NY é verão de verdade, daqueles que ardem até a alma. Mas, ao invés de reclamar e de pedir por dias mais frios, os meninos nova-iorquinos aproveitam o calor para mostrar os corpinhos em dia com muito estilo










Nas ruas dos modernérrimos SoHo, Village e Williamsbourg (Brooklyn) looks com shorts acima do joelho (com ou sem barra dobrada) eram praticamente um uniforme. Para combinar o look, geralmente uma regatinha (para aguentar o calor) mas, para quem não quer perder o estilo, a solução foi combinar camisas de manga curta ou comprida.






Outra tendência que está mais forte do que nunca é o brim colorido. Tá certo que o mercado americano sempre foi mais aberto ao colorjeans que o brasileiro mas agora parece uma febre.. a maioria dos looks é em brim. E aparece em todas as cores: os tons pastel, como verdinho e rosinha e as cores fortes como amarelo ovo e azul royal dividem as ruas com as "n" variantes de cáqui que o americano tanto gosta. 











Alguns fashionistas ignoram o calor em nome do estilo e investem em hiperproduções com camisa, jaqueta e se montam num look completo. Apesar de dar um pouco de aflição imaginar tanta roupa num calor destes, o visual inusitado chama a atenção pela criatividade: olha que legal estas combinações com calças coloridas:






Um detalhe deste verão foi a graça das estampas divertidas em bermudas. É uma forma de colocar um pouco de irreverência na sempre tão sóbria moda masculina. Mas o que parece não ter saído de moda é a barra virada. Diversos looks mostram ela subindo um pouquinho mais que o usual. Talvez seja a influência dos japoneses que investem num look mais ousado, com a canela à mostra.










Parece que este verão mostrou que os homens de NY estão cada vez mais abertos às novidades do mundo fashion. Agora é só esperar para ver se estas tendências ganham tanta força assim no verão brasileiro.







30 de julho de 2013

Brooklyn, uma nova paixão

Engraçado, quis o destino que o primeiro lugar que eu fosse parar nas minhas férias fosse o Brooklyn. Sim, passei o meu um mês de "férias" feliz em NY! Coloco em aspas porque, na verdade, vim fazer um curso de verão de Marketing de Moda Mundial na Fashion Institute of Technology, mais conhecida como F.I.T, aqui em NY. Sobre o curso, falarei em outro post...



Bom, esta é a minha segunda vez aqui em NY e, da primeira vez que eu vim, acabei não conhecendo o Brooklyn. Achava que era muito complicado e que não valia a pena o trabalho. E, depois, já tinha tanta coisa para ver e fazer em Manhattan que acabei não indo mesmo.

Mas desta vez não teve jeito. Para ficar aqui em NY por um mês a solução foi alugar um apartamento no AirBNB. Preferi ficar em Manhattan, no Upper Upper West Side, próximo ao Harlem mas o apartamento que eu aluguei estava passando por reforma e o proprietário me alocou num apartamento no Brooklyn por 5 dias. E foi delicioso!

A famosa ponte que liga Brooklyn e Manhattan


Manhattan vista pelo Brooklyn

Primeiro porque fiquei na parte mais legal do bairro, na famosa Williamsbourg. E ainda na parte onde estão as lojas e bares e não na parte residencial do bairro (que é enorme). Fiquei na Bayard street, perto da linha L da estação Bedford  Ave que é onde está localizado todo o burburinho do Brooklyn.

Estilo é o que não falta para quem frequenta a famosa estação Bedford Avenue, linha L

Para quem trabalha e curte moda, o bairro é um parque de diversão. Os bares, cafés, lojas e feirinhas têm um ar moderno, descolado e jovem. As pessoas trazem toda aquela atitude de NY de não ligar para o que os outros pensam e se vestem da maneira que se sentem mais confortável. Algo bem parecido com a série Girls da HBO (que, aliás, é gravada em Williamsbourg e sempre que aparece o metrô elas estão na estação Bedford Ave que é a que eu falei).

Tudo é cool no Brooklyn: para se livrar do calor infernal, inventaram uma Piscina Pop Up

Até o visual das lanchonetes é todo diferente, com referências streetwear


Para conhecer os lugares mais legais, basta descer nesta estação e andar a Bedford Avenue entre as ruas 11 e 3. Todos os arredores são preenchidos por lugares alternativos e vale a pena entrar em cada um deles. É engraçado, são espaços tão alternativos que nem parecem de verdade... Mas são. E fazem sucesso, o que é mais interessante ainda.

Lojinhas cool no Brooklyn



Ficando alguns dias no Brooklyn, eu descobri que os nova iorquinos têm um "treat" (presente) para quem mora no bairro: entre as estações que dividem o Manhattan do Brooklyn, o intervalo é de cerca de 2 minutos. Neste espaço de tempo, em viagens fora do horário de pico, grupos de jovens fazem apresentações de hip hop com movimentos de dança incríveis e acrobacias com os bonés (o que parece ser a última moda entre os jovens daqui pois nas lojas até anunciam algo do tipo "boné para manobras"). É muito legal.. tive a sorte de ver duas apresentações ao vivo mas não consegui gravar porque estava sem a minha máquina quando aconteceram.. mas achei este vídeo no You Tube que mostra um pouco como é:



E o bom é que você percebe que é muito autêntico. Eles levam um aparelho de som e ficam esperando um vagão mais vazio. Aí quando entra no espaço entre as estações, eles começam a dançar. Um verdadeiro presente para quem está por lá.

No fim de semana acontecem duas feiras no Brooklyn, uma no sábado e outra no domingo. As duas são incríveis! Tem barraquinhas de roupa usada, discos, móveis alternativos, artesanato super diferente e comidas de todo tipo. Claro que a onde eco e orgânica são mais fortes que nunca por aqui (o que, devo confessar, acho um pouco sem muito sentido num país tão acostumado a desperdiçar recursos como os EUA. Quem não conhece, fica assustado com coisas simples como a quantidade de guardanapo que te dão quando você compra alguma comida ou com a forma como eles usam energia). Bom, de qualquer forma, não há como negar que o discurso eco está em alta nos EUA e muito mais em NY e no Brooklyn.

No final da feirinha de domingo dá para curtir o visual dos prédios de Manhattan

Nas feirinhas todo tipo de produto é vendido. A criatividade no artesanato é cativante.


Muita raspadinha para aguentar o calor de quase 40 graus


Bem que eu já tinha falado um pouquinho sobre como o bairro é especial aqui no blog quando falei da BWGH. Até por isto, tinha decidido que desta vez iria, com certeza explorar o bairro para ver se era tudo isto mesmo. E é mesmo! Para quem curte moda e streetwear posso afirmar ainda que é uma parada obrigatória. E o legal é que nem é preciso fazer muita força. Só ficar lá sentado, observando o que acontece que dá para entrar no clima rapidinho...

Grafite à vontade nas ruas

Centenas de expositores hiper criativos nas feiras
Para ir ao Brooklyn, é possível pegar diversas linhas, mas a L é a mais indicada para quem quer já chegar no burburinho. Desça na estação Bedford com a N 7th street e passeie pelas quadras. 5 ou 6 para cima, e depois 5 ou 6 para baixo. Para maiores informações sobre as feiras, acesse o site Brooklyn Flea clicando aqui.

24 de junho de 2013

Um update na moda masculina

Animado com a lista das 25 marcas de moda masculina mais quentes do momento que a Complex soltou hoje, resolvi fazer um post sobre as marcas que mais chamaram a minha atenção!

É bem legal dar uma olhada porque eles sempre trazem o que há de mais novo no mundo da moda e, como não sou antenado com tudo o que acontece em todos os lugares (de verdade, quem consegue acompanhar tanta coisa acontecendo em todos os lugares?), vi na matéria uma possibilidade de conhecer marcas e trabalhos novos. E valeu muito a pena!

Das 25 marcas destacadas pelo site, uma que adorei é a Sir New York. De todas apresentadas no Complex (e olha que entrei site por site, naveguei para ver o que eles trazem de novidade e tudo mais... Um trabalho completo..rs) achei esta uma das mais inovadoras, tanto pelos shapes diferentes e super modernos como pelas estampas e cores. Uma mistura completa que dá para preencher um guarda-roupa inteiro. Olha que legal o vídeo conceito da última coleção da marca:




Gostei muito também da proposta da inglesa KTZ com um toque mais minimalista / chique / moderno e que, na verdade, é até mais criativa nas propostas apresentadas:



Concordei também com o fato da única supermarca listada no post ter sido a Uniqlo. Esta mega marca japonesa tem realmente opções muito legais para a moda masculina (como podem ser vistas nas fotos abaixo). Toda vez que viajo, vou correndo pra lá ver o que tem de novo, afinal, não é sempre que se pode comprar roupas transadas com qualidade e a preços baixos. Fora o que é legal a marca! Já comentei dela aqui no blog duas vezes (cada link leva a uma matéria diferente).

Camiseta Uniqlo

Lookbook Uniqlo
Outra que achei interessante foi a marca dinamarquesa Norse Projects que propõe peças atemporais em colaborações criativas de diversas áreas. No site deles você navega pelos projetos e percebe a qualidade do design das peças (dá vontade de comprar várias delas). Achei também que esta proposta deles é uma forma diferente de trabalhar o design de moda e pode até ser (quem sabe) uma solução para os designers e estilistas que têm uma boa criação mas que não têm recursos para bancar a produção de uma coleção.

Foto de um dos projetos da Norse projects
Agora, por falar em vontade de comprar, olha as fotos de algumas das peças da marca americana ISAORA. Ao entrar na loja online da vontade de sair comprando tudo!

Lookbook Isaora

Lookbook Isaora

Tops vendidos no site da marca

Agora, uma marca que não faz muito o meu gosto e também não acho que seja tão inovadora assim é a HUF. Comento dela neste post porque achei louvável a coerência entre o produto e a comunicação da marca o que, em Branding, é mais conhecido como Storytelling. Ao ver as peças, as campanhas, a apresentação dos lookbooks, percebemos uma forte identificação com o streetwear. Vale a pena navegar para ver como faz toda a diferença amarrar produto/conceito/comunicação com o público-alvo.

Por fim, destaco a aparição da BWGH, uma marca muito legal que já comentei aqui no blog e que, realmente, merece destaque pelo produto e o Marcelo Burlon, estilista/fotógrafo/artista multimídia que trabalhou comigo na VTrends #6 e tinha comentado que estava investindo numa linha de camisetas e, olha só, apareceu em 13º na lista. Fino! Quem puder, veja o post da Complex e navegue pelas 25 opções listadas. É enriquecedor!