28 de dezembro de 2012

Irmãos Karamazov, um dos grandes romances da humanidade...

Faz algumas semanas que terminei de ler "Irmãos Karamazov", livro que fiquei olhando por quase um ano, parado na minha estante, esperando tomar coragem para ler as quase 1000 páginas do romance (999 para ser exato).

Mas o que pensei que fosse demorar séculos, acabou levando poucas semanas... É que fiquei apaixonado pelo livro. Que romance! As histórias são extremamente bem elaboradas, as personagens super humanas, os enredos comoventes. É realmente impressionante pensar que um escritor sozinho possa criar um livro tão rico, complexo e atemporal. Sim, apesar de ter sido escrito em 1879, é muito fácil vermos retratadas nossas questões e dúvidas pessoais nas histórias concebidas tão ricamente por Dostoiévski. Tanto que Freud chegou a declarar que o romance é "a maior obra da história".

Capa do livro da Editora 34


"Irmãos Karamazov" é tão bom que é muito difícil escrever sobre o livro. Por isto, acabei demorando mais de um mês para falar sobre ele aqui no blog. A história é complexa e é quase um tratado sobre a espiritualidade e a relação de pais, filhos e irmãos. É complicado até definir qual a mensagem principal do romance, então vou falar sobre o que senti e gostei no livro.

A história é uma novelona no estilo Avenida Brasil.* com direito a cenas bafônicas e a um começo eletrizante: nas primeiras 40 páginas, Dostoiévski conta todo o passado que leva à formação da personalidade das cinco principais personagens do livro: Fiódor, o pai mesquinho, libertino e inconsequente, Dmitri, o filho mais velho, impulsivo, forte e emocionalmente inconstante, Ivan, filho do meio, extremamente inteligente, racional e lógico, Aliéksei, filho mais novo, espiritualizado, calmo e tranquilo e Smerdiakov, suposto filho bastardo, inteligente, racional e amargurado. Notem que coloquei as três principais características de cada personagem pois elas são fundamentais na história pois os acontecimentos e reações das personagens se misturam como num embate de ideias e conceitos por todo o livro e é isto que torna toda a história tão interessante e inteligente.

Como se pode perceber, todas as principais personagens são homens e eu achei o estilo do livro bem masculino, mas não por conter momentos de ação, aventura, ou coisas do tipo e sim pelos tipos de inquietações e pela forma e dificuldade de mostrar a fragilidade de sentimentos, mostrados geralmente em conversas entre as diferentes personagens. Estes são os momentos mais lindos e marcantes do livro, como a apresentação de toda a filosofia do líder espiritual de Aliéksei, o monge Zozima, onde ele sumariza toda a sabedoria que acumulou na sua vida, exemplificando com uma análise completa dos fatos de sua juventude. Este capítulo é incrível e dá vontade de marcar todas as partes no livro.

Outro ponto marcante é a discussão entre os irmãos Ivan e Aliéksei sobre espiritualidade e a existência de Deus. Na verdade, são dois momentos principais: no primeiro, Ivan apresenta um conto que escreveu chamado "O Grande Inquisidor" onde conta uma história onde Jesus volta à Terra na época da Inquisição e realiza uma série de milagres. Ele é reconhecido pela população mas é preso pela Inquisição e antes de ser queimado, o Grande Inquisidor conversa com ele, explicando que sabe quem ele é e os motivos pelos quais a Igreja acha melhor queimá-lo. Ele argumenta que o fato de Jesus ter resistido às tentações do diabo em nome da liberdade é algo que não pode ser compreendido pelos homens e que a humanidade não está preparada para viver com a liberdade que Jesus acredita e prega e que todos precisam de alguém para dizer o que fazer, que caminho seguir. As pessoas não podem escolher sozinhas os caminhos que levam à felicidade e que tamanha liberdade só levariam todos ao sofrimento e nunca à salvação. E que ele (como Inquisidor) e a Igreja assumiam o fardo de tirar dos homens a liberdade e o poder de escolha para que pudessem ser felizes na ignorância. Jesus ao invés de responder a qualquer uma das acusações, decide simplesmente beijar os lábios do Inquisidor que, tocado com esta reação, deixe que ele suma pela cidade ao invés de ser condenado e queimado.

Cena do filme de 1969


Na segunda discussão, já no final do livro, Ivan explica a Aliéksei que resolveu escolher a liberdade e tomar as rédeas das escolhas de sua vida, agindo conforme a sua consciência e indo contra as escolhas racionais, partindo em auxílio do irmão mais velho Dmitri. Esta parte é igualmente tocante pois é o oposto do ponto de vista que ele defende na primeira discussão.

E, por fim, vale destacar a história do pequeno Iliocha, filho de um capitão que é agredido por Dmitri e humilhado na cidade. O menino presencia a violência contra o pai e, no dia seguinte, passa a ser humilhado pelos colegas da escola e se revolta contra eles. Acaba levando uma pedrada no peito e fica doente. Nesta época conhece Aliéksei e, com raiva dele ser irmão de Dmitri, investe contra ele e morde o seu dedo. Aliéksei tenta entender a fúria do menino e descobre toda a história. Ele acaba se comovendo e resolve contatar os colegas de Iliocha para fazer as pazes entre as crianças. A relação dele com os meninos e com o capitão que foi agredido é muito bonita e uma das histórias mais humanas e interessantes do livro. Eu até chorei em alguns trechos...

Logicamente que grande parte do livro gira em torno do assassinato do pai Fiódor onde o principal acusado é o filho Dmitri. A principal referência do livro é sempre em relação a este possível parricídio, mas, assim como em Anna Karienina (como já falei aqui no blog) esta não é a parte mais interessante do livro mas sim estas que falei acima. Dá para perceber que a personagem principal do livro nem é Dmitri mas sim Aliéksei que aparece em praticamente todos os momentos e é o central na primeira e maior parte do livro.

É realmente difícil escrever sobre o livro pela riqueza de detalhes nas histórias, mas é, com certeza, incrível! Um dos melhores livros que já li e provavelmente um dos melhores já escritos em todo o mundo! Sem exageros... Quer uma meta legal para 2013? Leia "Irmãos Karamazov". Com certeza sua alma vai agradecer :)

Feliz 2013 para todos !!

Procurei um vídeo sobre o livro e descobri que o filme feito em 1969 está disponível na íntegra no You Tube com legendas em português. Ainda não assisti mas quem quiser ver, basta clicar abaixo:



*Por falar em Avenida Brasil, quem já leu "Crime e Castigo" do Dostoiévksi percebeu que o final da Carminha foi muito parecido com o final de Raskolnikov no romance onde, depois de tentar fugir durante todo o livro, ele se rende e aceita a punição que lhe é cabida. A redenção dos dois é muito parecida.

11 de dezembro de 2012

Levi´s, como não amar?!


Eu já conhecia as coleções vintage da Levi´s e até já vi algumas peças sendo vendidas em Londres e em Tokyo, em cantos específicos nas lojas, mas nunca tinha pensado em pesquisar sobre isto na internet.

Estes dias resolvi dar uma olhada e olha que legal este site que eu descobri! Nele há toda a história da empresa e as principais transformações que o principal modelo da Levi´s - a lendária 501 - sofreu com o passar do tempo.

Para quem não conhece, a história segue um resumo do que está no site: O Levi Strauss era um imigrante alemão que foi aos EUA na época da corrida do ouro em 1853 com o intuito de vender roupas, lenços, roupa de cama, bolsas e casacos de chuva. No começo da década de 1870, ele passou a fornecer tecidos para o alfaiate o russo Jacob Davis. Uma das esposas de um minerador, cliente de Jacob, pediu ao alfaiate que fizesse uma calça muito resistente pois não aguentava mais remendar as calças do marido. O alfaiate pediu a Levi Strauss o tecido mais resistente que ele tinha e incluiu rebites de metal para reforçar as costuras dos bolsos.

Fotos antigas da Levi´s

Fotos antigas da Levi´s


Em pouco tempo, as calças ficaram famosas na região. Jacob Davis percebeu que tinha um bom produto nas mãos e recorreu a Levi Strauss - que na época já era um comerciante muito bem sucedido - para se tornar o seu parceiro e lançar o produto no mercado. Em 1873 eles receberam a patente americana sobre o produto chamado simplesmente de blue jeans. As primeiras calças eram feitas com um tecido de denim azul 9 oz importado de Manchester, na Inglaterra.

Desenho fofo dos modelos antigos, disponíveis no site


A primeira fábrica da Levi´s foi em São Francisco (onde é até hoje a matriz da empresa) e passou a ser vendida em todo o oeste americano. Em 1890 a patente da calça expirou e a concorrência começou a surgir. Além da calça jeans, a Levi´s passou a produzir todo tipo de roupa mas o principal produto foi - e continua sendo - a calça jeans.

Os modelos de calças foram surgindo com o tempo, mas a empresa fez pouquíssimas alterações na clássica 501. As alterações foram tão poucas que estão no site TODOS os modelos diferentes de 501 produzidos pela empresa. As fotos a seguir apresentam em detalhes os modelos de 1890 (o original), de 1944 com alterações necessárias devido às restrições de consumo resultantes da II Guerra Mundial e de 1966, a mais recente.

Detalhes da 501 de 1890

Detalhes da 501 de 1944, época da II Guerra Mundial

Detalhes da 501 de 1966, a mais recente.

É legal perceber que a história da Levi´s é praticamente a história do jeanswear. Se analisarmos o material de Marketing da empresa, vemos que é possível captar informações importantes e interessantíssimas sobre a história do comportamento do consumo de moda em todo o mundo. E, por isto, toda iniciativa da Levi´s para preservar e divulgar a sua história é algo sempre legal e encantador!

Se pesquisarmos os comerciais que estão disponíveis no You Tube, vemos que é possível ver o espírito da época em que foram feitos na linguagem e formato do comercial. O comercial abaixo mostra bem o espírtio dos anos 70, bem hippie e viajante:



E o visual totalmente 80 do comercial abaixo,veiculado em 1985?!




Este aqui usa um desenho fofo (em moda na época por causa do Roger Rabbit) para mostrar a ousadia da Levi´s de uma forma diferente:




Todos eles (e dezenas de outros mais disponíveis no You Tube) mostram um pouco o espírito da época em que foram feitos. Mas o melhor comercial até hoje (na minha opinião) foi o que mostra o jeans em todas as décadas:




Fantástico, não?! É por isto que eu digo: não tem como não amar a Levi´s!