14 de setembro de 2012

Anna Karienina, um super clássico da literatura mundial


O mega clássico “Anna Kariênina” (sim, Kariênina e não Karenina, como todos conhecem) de Tolstoi é imenso, tem mais de oitocentas páginas. Mas que livro! E devo admitir: todas as páginas foram necessárias. Nada sobra ou falta neste romance. É engraçado afirmar isto pois nunca tive muita paciência para este tipo de livro tão cumprido. A preguiça de começar sempre me vencia. Mas fico feliz de ter vencido desta vez.

Devo confessar, contudo, que Tolstoi facilitou muito. O livro é envolvente do começo ao fim. Ele já começa (segundo o Licurgo) com uma das primeiras frases mais famosas da literatura mundial: “todas as famílias felizes se parecem. Cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. E começa comentando sobre a briga de um casal. As primeiras páginas voam e, em pouco tempo, estamos envolvidos na história.



São diversas personagens que aparecem em todo o livro, dividas em duas histórias principais: a de Anna Kariênina e a de Lievin Konstantin. Não, ele não tem nenhuma ligação com Anna e as histórias correm paralelas durante todo o livro. Só em uma cena, quase no fim do livro, as duas personagens finalmente se conhecem.

Logicamente, o que despertou a minha curiosidade sobre o livro foi a história da Anna, a mulher que desafia a sociedade e se entrega ao amante numa sociedade super machista e convencional na Rússia do século XIX. Mas o que me realmente me emocionou e que ganhou toda a minha atenção no livro foi a segunda história, a de Liévin. Eu nunca tinha visto um personagem tão humano, construído de uma forma tão sensível que é impossível não perceber as inseguranças e dúvidas, típicas de qualquer pessoa em Kóstia, Liévin ou Konstantin, os três principais nomes pelos quais é chamado durante o livro. E, devo dizer, que a sua história é o que faz o livro tão especial. Para mim, a história de Anna é secundária e até trivial. E isto foi uma grata surpresa, algo que não esperava encontrar.

Ao ler Anna Kariênina, achei que fosse ler um romance típico, daqueles de amor impossível cheio de obstáculos e reviravoltas. Mas não. O que encontrei é uma história que mostra o amadurecimento moral e espiritual de um homem que, ao decorrer da história, passa por experiências que desafiam suas crenças, brincam com sua insegurança e que, no final, culminam numa compreensão quase divina dos mistérios da vida. Eu até acredito que ao criar Liévin, Tolstoi falava de si. Penso isto não somente pelos traços extremamente humanos que o personagem tem, algo que, para ser feito com tanta riqueza, só poderia vir de reflexões pessoais e pensamentos interiores. Mas também por alguns detalhes no livro, como pelo fato dele ter pedido a mão de Kitty em casamento da mesma forma que Tolstoi pediu a sua mulher em casamento (sim, as traduções da Editora 34 são tão boas que têm este tipo de informação no rodapé!) e por dedicar a última parte do livro exclusivamente para Liévin. A forma como Tolstoi mostra as reflexões e conclusões de Kóstia é tão rico que é, praticamente, uma espécie de tratado sobre espiritualidade. Imperdível!

Mas a história de Anna tem lá o seu charme. Não pela história de amor que achei bem chatinha e sem graça. Fora que a moralidade da época tem umas regras que não fazem muito sentido hoje em dia. Eu, por exemplo, achei que ela ainda estava somente paquerando o Vronski (seu amante) quando descobri que ela já estava até grávida! Olha a sutileza! Até voltei algumas páginas para ver se não tinha pulado nada e é discreto assim mesmo..rsrs... De qualquer forma, não é isto o que torna a história interessante. Mesmo sendo uma história de amor, temos que lembrar que Tolstoi é russo e, como todo russo, vertical (como diz o Licurgo) e o legal da história da Anna, na minha opinião, é o lado psicológico dela, do seu marido e de seu amante. Ela fica totalmente neurótica e isto é colocado de forma bem lenta e detalhada no livro, o que dá realmente a sensação de uma neurose que se torna uma loucura. O marido que decide pela redenção ao invés da vingança contra Anna (apesar que esta redenção pode ser uma forma de vingança). E o amante que sofre com a reviravolta da neurose de Anna. A história tem sim os seus encantos mas a de Liévin é muito mais interessante.

Ele começa como um homem duro, super racional e correto. Ele é até descrito com a seguinte frase: "Você é um homem muito íntegro. É a sua qualidade e o seu defeito. Tem um caráter íntegro e quer que toda a vida seja formada de fenômenos íntegros, mas isso não acontece. Você despreza a atividade do serviço público porque deseja que o trabalho sempre corresponda a um fim, e isso não acontece. Quer também que a atividade de um homem sempre tenha um fim, que o amor e a vida em família sejam sempre uma coisa só. E isso não acontece. Toda a diversidade, todo o encanto, toda a beleza da vida é feita de sombra e de luz."

Toda esta rigidez e integridade praticamente despencam quando recebe um não na primeira vez que faz o pedido de casamento à Kitty. Ele, inseguro, acha que não merece ser feliz. E se recolhe para trabalhar sem parar, numa vida amarga e sem muita graça. Quando percebe uma segunda possibilidade de casar com Kitty, vai se tornando alegre novamente. E muito menos rígido. Até descobrir o “sentido” da vida na última parte do livro. Lindo!

Com certeza vale a pena ler. Eu li como se fosse  uma novela, cerca de 30 minutos por dia. E foi maravilhoso! #ficaadica!


5 de setembro de 2012

G Star, uma das maiores estrelas do mundo jeanswear


Quando escrevia no V!preview, lançamos a coluna “MarcasHein?!”  para apresentar marcas desconhecidas mas que tinham alguma coisa de especial. Era uma tarefa difícil pois o público do site é formado por pessoas que trabalham com moda e pesquisam o tempo todo.. mas sempre encontrávamos várias marcas novas na internet, nas revistas, em todos os lugares.

Recentemente vi que uma loja multimarcas no Center 3 estava vendendo a coleção da G Star e, conversando com a vendedora, fiquei triste em confirmar o que já suspeitava: ninguém conhece a marca aqui no Brasil. Ela disse que as pessoas gostavam das peças mas achavam muito caras e que ninguém entendia como poderia custar o mesmo que uma calça Diesel. Bom, quem convive no mundo da moda jeanswear sabe muito bem quem é a G Star e entende porque uma calça da marca custa o mesmo que uma da Diesel e de outras marcas semelhantes como Seven e afins. Eu até acho que elas podiam (e deviam) até custar mais, afinal a marca é uma das maiores (senão a maior) influenciadoras da moda jeanswear. Todas as vezes que entrei numa loja da marca, quis comprar quase tudo. Logicamente, não pude comprar quase nada, mas faz parte da vida...

Resolvi, então, falar aqui no blog de algumas marcas que são gigantes e grandes referências na moda mas que, por algum motivo, não  são conhecidas para quem não vive o dia-a-dia do mundo jeanswear. Vou falando aos poucos, sem muito compromisso. Mas vamos lá para o primeiro:

Campanha com foto onde o número 96 (que se refere ao ano quando lançaram  a calça Raw)


Holandesa, a marca lançada em 1989 como Gap Star. mudou o nome (por motivos óbvios) para G-Star quando quis se internacionalizar. Em 1996 lançaram o primeiro jeans Raw (crú) sem lavagem no mercado e fez muito sucesso. Desde então a marca adotou este conceito e incorporou o conceito Raw ao nome, passando a ser chamada G Star Raw.  As suas coleções têm inspirações militares, urbanas e o forte é o jeans. A empresa optou por colocar o produto como o seu principal foco de atenção e tem inovado e laçado muitas novidades no mercado. Tecidos tecnológicos, novos processos de lavagem e tratamento estão sempre presentes nas coleções novas da marca. É fácil perceber que há um investimento contínuo em produtos melhores. Talvez seja até por este foco em produto que a marca não seja tão conhecida do grande público, como a Seven e a Diesel que investem pesadamente em Branding e ações de Marketing.

Veja o vídeo abaixo com a participação da marca na última Bread & Butter:




Os investimentos em campanhas da G Star são mais restritos mas ainda assim são bem relevantes. E o legal deles é que eles têm uma característica tão forte que são reconhecidos por detalhes que se tornam a “assinatura” da marca. A filigrana dos bolsos traseiros nas calças é uma assinatura bem marcante da marca. 

Foto com o filigrana característico da marca no bolso traseiro das calças


Outra assinatura bem legal é a espécie de “filtro” de imagem das suas campanhas. É como se fosse uma luz e um tratamento de imagem especiais que, ao vermos, reconhecemos imediatamente como da campanha da G Star, independente da estação. Este “filtro” é, na verdade, criação do fotógrafo Anton Corbijn, holandês como a marca. As fotos sempre têm um forte appeal jeanswear e são bem bonitas. 

Campanha com o "filtro" característico de Anton Corbijn

Outra imagem usada em campanha, com look forte jeanswear



Uma das campanhas de marketing mais comentadas da marca foi a de 2010 quando colocou o campeão mundial de xadrez Magnus Carlsen como par da atriz Liv Tyler. O lançamento da campanha contou até com um jogo dele contra o “mundo” em NY:



Mas o principal da G Star são mesmo as peças. Uma mais linda do que a outra. As calças, jaquetas, calçados, bolsas, enfim, tudo que existe na loja é incrível. Nisto eles são imbatíveis. Finalizo este post com alguns vídeos de desfiles.

Ah, antes de acabar, vale lembrar que eles estão finalmente investindo no mercado brasileiro, com peças em diversas multimarcas, na The Jeans Boutique e um showroom nos Jardins. Ebaaa!!