24 de julho de 2012

Cenas inesquecíveis de filmes no You tube



Quando era adolescente, eu tinha a mania de gravar todos os filmes e programas que eu gostava para poder assistir no futuro. Era uma forma de registrar tudo o que, de alguma forma, me tocava. Pensava que as fitas de vídeo estariam sempre disponíveis para que eu pudesse assistir novamente aqueles filmes tão especiais. Em pouco tempo, vi que estava errado e, em breve, tudo estaria em um novo formato e, então, passei a comprar DVD´s para garantir o acesso a estes filmes. Estava errado novamente!

O que me conforta é que foi muito bom estar errado pois o que temos hoje é muito melhor do que fitas VHS e DVD´s. Hoje praticamente tudo está disponível em sites específicos de vídeos, como o NetFlix, e música como o Rdio. Eu até já tinha feito um post sobre este novo tipo de serviço aqui no blog.





O legal é que, além do acesso aos filmes e vídeos, a internet possibilita ainda que visualizemos diretamente cenas específicas de filmes,disponibilizadas por usuários em sites como You Tube e Vimeo. Logicamente nem tudo está disponível mas achei muita coisa legal e decidi colocar algumas que considero superespeciais neste post.




É um top 5 de cenas que me tocaram quando assisti pela primeira vez os filmes e que, de alguma forma, me emocionam até hoje. A sensação funciona exatamente como disse lindamente Caio Fernando Abreu em sua crônica "Pequenas Epifanias" : é como se estendesse a mão “no meio da poeira dentro de mim” e pudesse “tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome” Olha que engraçado, percebi agora que ele usou “fome” com o mesmo sentido que Steve Jobs no discurso dele. Legal, né?! Para ler a crônica na íntegra, clique aqui.




Bom, voltando aos vídeos, listo agora cinco cenas que separei no You Tube. A primeira é do filme Philadelphia que revi partes dele ontem no Discovery. Quando assisti pela primeira vez ainda era aquele adolescente que gravava fitas de VHS. Acho que tinha uns 15 anos quando o filme passou no cinema. Hoje, quase 20 anos depois, é incrível ver a qualidade do filme. Com Banderas, Denzel Washington e Tom Hanks em atuações incríveis, o filme é triste mas tem uma mensagem sobre dignidade e respeito muito linda. A cena de Tom Hanks sentindo e interpretando a música “La Mamma Morta” cantada por Maria Callas é simplesmente inesquecível pela perfeita atuação de Tom Hanks:



 A segunda cena que separei é a do meu filme preferido, “Bonequinha de Luxo”. O título em inglês “Breakfast at Tiffany´s” é muito mais glamouroso e representa bem o espírito do filme. Acho que já assisti umas 50 vezes o filme e a cena final sempre me comove. Nela, o lindo George Peppard desmonta toda a persona que Holly (Audrey Hepburn simplesmente perfeita) tinha criado de mulher independente, ambiciosa e, em termos atuais, “gold digger”. Ela percebe seu erro e se rende. A cena é linda. Eu sei ela inteirinha de cor. E sim, é bem diferente do livro de Truman Capote. O livro também é incrível mas, mesmo assim, acho a cena e o filme inesquecíveis.




 Outro filme clássico que eu adoro ver e rever é o “Tarde Demais para Esquecer” (“An Affair to Remember”). Ele é bem romântico e até meio breguinha mas eu amo este filme. E é bem antigo, daquela época em que nem os beijos apareciam direito nos filmes. A cena que escolhi é uma das que sempre lembro do filme. É quando o bom vivant Nickie (vivido por Cary Grant) percebe que está apaixonado pela corretíssima Terry (personagem vivida por Deborah Kerr). Eles estão na casa da avó Janou na França e ela resolve tocar piano antes deles partirem. Deborah Kerr começa a cantar a linda música tema do filme em francês (naquela época, ainda era considerado chique e até algo comum entre os mais instruídos falar francês, inclusive nos EUA). E ele percebe que está apaixonado por ela. É uma cena linda!




Um dos filmes mais interessantes e inteligente que vi foi “Deuses e Monstros” (Gods and Monsters). Ele conta a história fictícia do fim de vida do diretor de Frankestein que deixou de trabalhar há muito tempo por problemas com a indústria do cinema e se sente ressentido com o rumo que a sua vida tomou. Fascinado pela beleza e rusticidade do jardineiro que contratou para a sua casa, ele entra em um processo de interiorização e passa a lembrar os fatos mais importantes de sua vida e os confronta com a sua vida atual. Esta foi a melhor atuação que eu já vi em um filme e lembro que fiquei muito revoltado quando Ian McKellen não ganhou o Oscar de melhor ator. A sua interpretação é simplesmente perfeita e é muito tocante ver a forma como ele atua durante todo o filme. O resto do elenco está ótimo também. Até Brendan Fraser que normalmente vemos em filmes como Múmias. Na cena que escolhi, ele conta sobre a primeira vez que se apaixonou por um soldado durante a I Guerra. Não é a mais legal do filme mas é bem bonita. A mais legal não encontrei no You Tube, quando James Whale (Ian McKellen) faz um discurso sobre a liberdade ser um vício como todos os outros. 




A quinta cena que peguei no You Tube é da série da HBO "Angels in America". Com apenas seis capítulos, Angels In America é um filme de quase seis horas de duração com um roteiro inteligentíssimo e super sensível e um elenco e atuações de tirar o fôlego. Com um background de NY no começo dos anos 80, época em que a AIDS explodiu no mundo, a série apresenta personagens com histórias bem interessantes como o gay que descobre ter AIDS e o namorado surta e o abandona e o troca por um republicano não assumido que é mórmon e é casado com uma mulher que tem delírios psicológicos o tempo todo. A cena que escolhi mostra 10 minutos intensos com interpretações de tirar o fôlego. Ela começa com o mórmon (o lindo Patrick Wilson) contando para a mãe que é gay (interpretada por Meryl Streep, não precisa de comentários) e ela não acreditando. Em seguida, o namorado do cara que descobriu que tem AIDS e o mórmon contam para seus parceiros que vão abandoná-los para poderem ficar juntos. É um dos momentos mais marcantes da série que, com certeza, vale a pena ser vista e revista. O texto é muito inteligente e especial.




Não resisti e coloquei uma sexta cena..rsrs..É a cena final do filme "As Horas". São menos de dois minutos. É um texto lindíssimo que foi feito pelo diretor do filme, representando a carta de despedida de Virginia Woolf para o seu marido:





"Dear Leonard, to look life in the face

Always to look life in the faceAnd to know it for what it is
At last, to know it
To love it for what it is,
And then.. to put it away

Leonard, always the years between us
Always the years,
Always the love,
Always.. the hours"

Em uma tradução livre, é algo como:

"Meu querido Leonard, encarar a vida de frente,
Sempre encarar a vida de frente
E conhecê-la, como ela é
Pelo menos, conhecê-la
Amá-la pelo que ela é
E então.. deixá-la de lado

Leonard, sempre os anos entre nós,
Sempre os anos, 
Sempre o amor
Sempre.. as horas"

O filme termina com esta cena. É um dos filmes mais poéticos que já vi!




Agora, mudando completamente de assunto, fiquei viciado em assistir no Vimeo aos vídeos feitos pelas Bibas from Viscaya parodiando o remake da novela Gabriela. Ou como eles chamam Gaybriela. Já são 4 capítulos, todos muito engraçados. Ah, o vocabulário é bem gay e quem não está acostumado aos termos pode ficar boiando em grande parte do vídeo. Mas vale a pena assistir.

Coloco aqui o primeiro capítulo. Para ver os demais, basta acessar o vimeo e digitar Gaybriela:





Gaybriela - Trava e Boneca ( Cap 01) from Las Bibas From Vizcaya on Vimeo.

Boa diversão!

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