31 de maio de 2012

Branding classe A




Branding é a estratégia de marca que as empresas usam para fixar a imagem e reputação da marca no mercado e na cabeça dos seus clientes.
Para empresas de moda, Branding é fundamental pois é o que define o posicionamento na percepção do consumidor, é o que faz as pessoas valorizarem o produto que estas marcas possuem. Tanto que grandes exemplos de branding estão diretamente relacionados ao mundo da moda, como é o caso de marcas mega globais como Nike, Adidas, Converse, Louis Vuitton, dentre tantas outras.
Consistência e clareza no posicionamento são pontos fundamentais para o sucesso de qualquer estratégia de Branding. Vou falar aqui de dois exemplos bem legais de Branding bem sucedidos no mundo da moda: Abercrombie e American Apparel (por isto o classe “A” do título do post J).

A Abercrombie é uma marca que tem uma imagem muito bem definida no mercado. Todos conhecem o seu estilo, sabem como é o seu produto e, de uma forma geral, têm uma certeza do que vão encontrar em qualquer loja da marca. Na minha opinião, a estratégia de Branding deles é muito bem sucedida exatamente porque eles conseguiram definir muito detalhadamente o tipo de produto e o tipo de posicionamento que a marca tem com o mercado.
Marca com mais de 100 anos, a Abercrombie quase faliu nos anos 70. Depois de encontrar o tipo de produto e o tipo de mensagem que conversava com o seu público, ela foi firmando o posicionamento por meio de diversas ações de Marketing: nas propagandas, no estilo das roupas, na decoração das lojas, na apresentação do produto.


Eles optaram por explorar o lado sexy da juventude. Embora teoricamente, esta sexualidade seja usada tanto no lado masculino como no feminino, há muito tempo percebe-se que a empresa tende a explorar muito mais o lado masculino, com imagens de homens jovens lindos, com corpos perfeitos em todas as suas lojas.
Estas imagens estão em todos os lugares: nas paredes das lojas, nos comerciais da marca os homens são os mais usados nas imagens e ações das campanhas. Veja o vídeo abaixo de uma das últimas campanhas da marca:





Esta imagem de homens jovens, lindos e sarados ficou tão atrelada à marca que nos EUA a Abercrombie virou praticamente um adjetivo, para classificar e diferenciar as pessoas. Como toda empresa americana, a Abercrombie tem uma tendência a valorizar a cultura e os recursos americanos e, por este motivo, ela estabeleceu que escolheria os modelos em testes nas próprias lojas da rede nos EUA. Uma equipe de profissionais sai viajando pelos EUA para recrutar os novos modelos.

Sacola de compras da Abercrombie

Esta estratégia dá uma boa visibilidade (pois causa um frisson nas cidades, quando ocorre o casting) e passa uma imagem bem positiva para todos os consumidores americanos. Sem contar com a grande vantagem de não ter que arcar com os custos reais de modelos de alto nível.
A ideia da empresa é usar modelos que sejam iguais aos consumidores que ela pretende alcançar: jovens universitários entre 18 e 22 anos. O público efetivo da loja é bem mais amplo que esta limitação mas acho que poderiam ser enquadrados em “wannabe 18 -22” (gostariam de ter entre 18 e 22 anos). O vídeo abaixo mostra como é o processo de casting nas cidades.




Um detalhe muito importante foi escolhido com cuidado pela Abercrombie: a identidade visual. Para usar algo clássico e que remetesse ao sexy de forma atemporal, a marca optou por trabalhar sempre com uma luz específica em fotos preto e branco. A consistência foi tão grande que quem conhece bem a marca consegue reconhecer o tipo de imagem da Abercrombie de forma muito rápida e direta.

interior de uma das lojas da Abercrombie

O clima das lojas também remete ao universo jovem. Escuras e com um música eletrônica dançante num volume bem semelhante ao de uma discoteca, as lojas da Abercrombie têm uma atmosfera bem jovem e cool. É bem difícil ver as roupas mas isto não importa muito, afinal, o que vale é a experiência. O vídeo abaixo mostra o interior de uma loja de NY. O legal é que o vídeo foi feito por algum consumidor então dá para sentir bem o espírito da loja:






Nas principais lojas, a marca sempre deixa modelos sem camisa para receber os clientes e para tirar fotos com as pessoas que fazem compras nas lojas. Na abertura das lojas, em geral, eles fazem um verdadeiro desfile de homens sem camisa que, em geral, chama muito a atenção de toda a cidade. Veja o vídeo da abertura da loja da marca em Cingapura:
Fila de modelos na abertura da Abercrombie em Cingapura



Agora o mais legal de toda a estratégia é que eles conseguiram adaptar muito bem o produto para o conceito da marca. Inspirado no look college, os produtos têm um visual muito específico e previsível. E o que é o melhor para marca: muito pouco suscetível às variações tão comuns no mundo da moda. Os produtos variam muito pouco de coleção para coleção, o estilo é sempre parecido, as novidades aparecem mas são sempre muito próximas ao que já existe na loja. Isto dá à marca uma previsibilidade muito valiosa e difícil de ser obtida no mundo da moda.

Página de produtos no site

Guia de estilo Preppy da Abercrombie

Basta olhar no site da Abercrombie para entender como são os produtos (dá até para comprar. Eles entregam no Brasil!). Lá eles têm até um guia de roupas onde modelos mostram como montar os looks Abercrombie.
Todos os detalhes foram cuidadosamente trabalhados pela marca e hoje ela tem uma imagem muito forte e muito bem definida no mercado. Uma estratégia de Branding muito bem sucedida. E o principal motivo do sucesso é, na minha opinião, a clareza e consistência das ações planejadas pela marca.
É, o post acabou ficando muito grande. Vou deixar para falar da American Apparel num próximo post aqui no blog!

29 de maio de 2012

Prada lança vídeo dirigido por Polanski

Moda e cinema sempre estiveram muito próximos e, agora, parecem estar colados. Nesta coleção, a Prada produziu um vídeo promocional chamado "A Therapy" e convidou o diretor mega badalado Polanski para dirigir o curta (a Prada sempre é chique!). E não para por aí. Dois atores excepcionais estrelam o curta que tem apenas três minutos de duração: a super hype e sempre fashion Elena Bonham Carter e o eterno clássico Ben Kingsley. Veja o vídeo abaixo:



O vídeo mostra a fascinação que as roupas da Prada podem exercer nas pessoas. Em uma sessão de terapia, Elena fala sobre seus problemas mas o terapeuta não consegue prestar atenção em mais nada além do casaco hiper chique da paciente. Praticamente um caso de hipnose. 

O resultado é um vídeo incrível que mostra bem o poder da marca por suas roupas. E os atores estão ótimos, como sempre. Vale destacar a beleza dos detalhes. Tudo é impecável. Lindo! 

A Prada vem investindo fortemente na criação de vídeos de alta qualidade para a divulgação de seus produtos. É uma estratégia para firmar a sua marca nas novas mídias e nas redes sociais. E ela tem sido bem sucedida em sua estratégia: o vídeo da coleção do verão passado foi muito comentado (e, claro, copiado.. quer dizer, usado como referência) em muitos ensaios e produções de moda por todo o mundo. O vídeo é mesmo legal, veja:


O vídeo atual (coleção de Inverno) é menos impactante mas também é interessante:



Para a divulgação do celular LG Prada, ela simplesmente contratou o mega ator Edward Norton (disse, Prada sempre chique!) que aparece no vídeo de Making Of lindo e elegante, vestido de Prada dos pés à cabeça. Arraso!




Outra marca que também contratou uma grande estrela para fazer um vídeo de impacto foi a Dior que contratou a mega star francesa Marion Cotillard para estrelar uma atriz em crise numa sessão de fotos:



Impecáveis os detalhes do filme. Dá para perceber o cuidado em 100% das cenas. Os looks são simplesmente incríveis. Tanto este filme como o da Prada me lembram muito o"Single Guy" de Tom Ford, um filme com uma estética maravilhosa e sem falhas. É, parece que a interconexão do mundo da moda com o do cinema é repleta de muito glamour. #luxo!


28 de maio de 2012

Comentários sobre o Google Glass


Sim, já se passaram uns três meses desde que o Google Glass foi anunciado e super comentado no mercado e só agora escrevi um post sobre o assunto.
Na época, achei que não tinha mais o que ser dito, já que o vídeo bombou na internet. Mas depois pensei melhor e resolvi fazer o post. Nem que seja para registrar, afinal, o assunto tem tudo a ver com a linha de temas do blog e é realmente um assunto relevante.
O bom de escrever tarde é ter acesso à repercussão do assunto e também comentar sobre isto. Bom, vamos lá.
Para quem ainda não viu, o Google lançou há uns 3 meses o vídeo abaixo demonstrando como será de um de seus produtos: o Google Glass. Um óculos de última geração com acesso wireless super rápido à internet e que permitirá às pessoas ficarem conectadas o tempo todo. O legal da tecnologia é que, como está conectada a um óculos, a usabilidade é muito grande. E a tela transparente faz com que a interferência na percepção das pessoas seja a menor possível.
Veja o vídeo abaixo (que bombou na internet e já foi visto mais de 20 milhões de vezes):


No vídeo, o Google tentou mostrar como a tecnologia pode auxiliar o dia a dia das pessoas, sem gerar viciados e sem isolar as pessoas do convívio social. Mas, mesmo assim, a novidade causou reações de todos os tipos.
Espantados com a invasão tecnológica, os mais românticos acham um verdadeiro horror este tipo de tecnologia que obriga as pessoas a estarem conectadas o tempo todo, dando pouco espaço ao acaso. E à vida off-line. Os mais tecnológicos ficaram maravilhados com a possibilidade de contar com o suporte e apoio da internet por 24 horas (literalmente) em suas vidas. Acho que nenhum dos dois grupos estão certos. Os extremos, aliás, raramente estão.
Acredito que é muito válido termos esta tecnologia mas realmente temos que saber dosar no dia a dia para não ficarmos off-line na vida real. Basta ver o que somente o acesso à internet em IPhone´s e BlackBerry´s têm feito com as pessoas hoje em dia. Se olharmos em volta, vemos que, cada vez mais, as pessoas ao nosso lado estão completamente absorvidas pela tela do celular e não percebem tudo o que está acontecendo ao seu lado na vida real. Além disto, muitas vezes vejo (e já aconteceu comigo várias vezes) pessoas que, ao invés de conversar olhando para as outras pessoas, conversam com o olho na tela do celular. Ou nem conversam, apenas estão fisicamente presentes. Considero isto algo muito feio, uma verdadeira falta de educação. A mensagem e a impressão que passam para as pessoas é que a companhia delas não é suficientemente interessante para merecer a sua atenção. Not cool.
Estas pessoas provavelmente terão problemas com o Google Glass, já que ele eleva muito a possibilidade de conexão mas, como já disse, os extremos são sempre problemáticos. O ideal é aprender a conviver com a tecnologia, tentando acomodá-la da melhor forma possível no dia a dia, sem prejudicar a sua saúde e a saúde das suas relações.
Com o impacto da novidade, milhares de pessoas em todo o mundo passaram a falar sobre o assunto e estão ansiosíssimas para o lançamento do produto. Para elas, a notícia não é muito boa. O Google disse que demorará alguns anos para que o produto esteja disponível comercialmente. É de se esperar, afinal, há muita pesquisa e tecnologia a desenvolver para chegar em um produto tão inovador. Basta esperar. E se contentar com o acesso por telefones e IPads.
Algumas “brincadeiras” surgiram na internet sobre o Google Glass. Aqui destaco duas que gostei bastante. A primeira é um quadrinho que vi na internet (veja abaixo). 

Nele, eles apontam uma coisa que, provavelmente, acontecerá: “ se você acha que quem vai usar o Google Glass é um monte de gente cool, fazendo coisas interessantes, está muito enganado. O que vai acontecer é um monte de nerds losers assistindo vídeo pornô o tempo todo”. É, realmente pode acontecer.
E o que achei bem divertido é o vídeo de como seria o Microsoft Glass, a versão que eles lançariam logo depois do Google:

Bem divertido, né?! E o pior é que é verdade!