28 de fevereiro de 2012

Rdio, uma rede social de músicas

Quando ouvi falar pela primeira vez da Rdio, achei que fosse algo comum, afinal, rádios com streaming pela internet existem aos milhares e há muito tempo.

Mas a Rdio, trazida para o Brasil pela Oi, é realmente diferente. Primeiro porque você pode escolher o que quer escutar em uma base com mais de 10 milhões de músicas disponíveis. Basta digitar o que você procura: o nome da música, o nome do artista ou pesquisar pelo gênero musical, e a música está lá. E, em tempos de redes sociais, o site funciona também como uma rede social onde você pode seguir quem quiser e ver o que eles estão ouvindo. E fazer o mesmo.


E é neste ponto que a Rdio é tão legal: ela facilita muito o processo de conhecer novos artistas e novas músicas. Algo muito valioso em um mundo onde novidades aparecem em todos os instantes e é difícil reconhecer o que vale a pena.

É triste reconhecer mas nossas referências envelhecem. E param de fazer sentido. Outro dia fiquei chocado porque minha estagiária nunca tinha ouvido falar em Pet Shop Boys. Mas ela, nos seus 20 e poucos anos, realmente não viveu num mundo onde West End Girls ou Domino Dancing tocavam em todas as rádios e lugares. Além disto, poucos são os artistas que continuam produzindo e fazendo sucesso por décadas (eu, na verdade mesmo, só me lembro da Madonna. E dos Pet Shop Boys, mas eles não são tão bem sucedidos assim, tenho que reconhecer).

Por isso, sempre achei importante conhecer novos artistas. Mas todo o processo de atualização é muito cansativo: ler blogs, revistas especializadas, comprar ou baixar músicas, algo que consome muito tempo e se torna inviável para pessoas que não trabalham diretamente com música. Então, sempre recorri aos meus amigos para conhecer novas bandas e músicas.

E é deste mesmo princípio que a Rdio parte: das recomendações dos seus amigos. Mas você não precisa fazer o chato e ficar pedindo dicas. Basta "seguir" quem quiser (não precisa ser amigo, basta estar conectado à rede) e ver o que eles estão ouvindo. Os usuários mais animados ainda criam Playlists ou promovem músicas e álbuns. Isto já facilita muito a vida.

Mas o site tem uma funcionalidade ainda mais legal. Sabe as sugestões que existem nos sites de compra na internet: quem gostou disto, gosta daquilo? Então, na Rdio isto aparece de forma muito simples: se você gosta de um artista pode pedir para o site criar uma rádio dele e, em segundos, ele traz uma playlist com 25 músicas, algumas do artista, outras de outros artistas parecidos com aquele. E aí descobrimos novos artistas. E redescobrimos velhos, afinal, pode não ser contemporâneo, mas Pet Shop Boys é muito legal.

Neste fim de semana, por exemplo, descobri a Class Actress, uma banda de música pop eletrônica que é muito legal e contemporânea. O vídeo abaixo é um clip deles que achei no You Tube:


Outra artista que conheci e gostei bastante também foi a cantora inglesa Katy B:



O site trabalha com duas opções de assinatura: R$ 8,90 por mês para acessar e ouvir as músicas nos computadores ou R$ 14,90 para poder sincronizar com seu celular e IPad, baixar a música e ouvir sem estar conectado à internet.  Se pararmos para pensar R$ 14,90 é cerca de metade do preço de um CD novo. Uma pechincha para conhecermos quantos CD´s quisermos. E tudo o que é novo fica rapidinho disponível no site. E tem bastante música brasileira disponível. Eu até ouvi a nova música da Ceu e "curti" bastante:



Entrem lá! Vale a pena! Nos próximos meses, vou me empenhar em conhecer novos artistas.. Quer acompanhar? Follow me. O meu login é fsandes@gmail.com. Boa música! Ah, tem um free trial de 1 semana...

24 de fevereiro de 2012

Engraçadinha, 17 anos depois parece mais moderna do que nunca

Há umas 2 semanas, comprei em uma das bancas da Paulista os 3 DVD's da minissérie Engraçadinha por apenas R$ 15. Eu lembro que gostei muito da série mas não lembrava direito de toda a história. O que é compreensível dado que a série foi ao ar em 1995. Bom, comprei o box e aproveitei os dias "off" do Carnaval para assistir e fiquei maravilhado com a qualidade da produção.

Logicamente, como foi gravado em 1995, a qualidade do vídeo não é lá essas coisas, mas tanto a direção como a adaptação do texto para a TV foram primorosas. Assim como o desempenho dos atores da série. Basta apenas lembrar que três grandes atores passaram a ficar conhecidos após Engraçadinha: Alessandra Negrini e Alexandre Borges, que tinham feito papéis pequenos em outras novelas "estouraram" após a minissérie e Carmo Dalla Vechia fez sua estreia na televisão. Claudia Raia e Maria Luisa Mendonça também tiveram atuações incríveis.

O interessante foi assistir aos DVD's sem interrupções. Não há divisão de capítulos e, assistindo às quase 10 horas de vídeo, tem-se a sensação de estar literalmente lendo Nelson Rodrigues. E o seu texto é muito bom, principalmente se considerarmos que ele foi escrito nos anos 60. Muita gente não gosta do estilo dele por ser muito polêmico e querer chocar com suas histórias e frases, mas, ao assistir Engraçadinha, pode-se perceber que as personagens são extremamente humanas e que - exatamente por ele as mostrar exatamente assim humanas - ele as torna próximas de todos e acaba sendo muito real ao mostrar como seria a vida "sem a covardia habitual", como ele provavelmente diria.

Agora o que me deixou impressionado foi lembrar como as coisas eram mostradas sem o pudor que existe na TV atualmente. Os textos e as cenas de Engraçadinha dificilmente seriam aprovadas pela própria Rede Globo se a minissérie fosse gravada agora. As cenas de sexo entre Claudia Raia e Alexandre Borges provavelmente seriam editadas e não apareciam de maneira tão crua e direta como apareceram na série. Acho que até as cenas da Engraçadinha nova, quando ela atiçava o seu amante sem nenhum pudor, seriam editadas e apareciam de maneira mais sútil.

Abaixo pode-se ver uma das cenas que, provavelmente, seria editada:




Agora o que, com certeza, seria mostrado de forma diferente (podendo até ser radicalmente reduzido na série) é toda a história do amor de Letícia (Maria Luiza Mendonça) por Engraçadinha (Alessandra Negrini e Claudia Raia), afinal, o amor e o relacionamento gay se transformou num grande tabu da televisão brasileira.

Mas a cena e o texto são interessantíssimos: ao se declarar, Letícia agarra Engraçadinha e lhe dá um beijo na boca. Engraçadinha fica com nojo de Letícia e diz que ela tem uma Tara. Letícia se revolta e fala para ela que é amor e não tara e que o seu amor é o maior que ela encontraria em toda a sua vida:  "Meu amor é anormal porque é sem vergonha, sem covardia e sem limites" e depois diz que "O meu amor é muito maior que o seu. Eu faria tudo por ti. Tudo, ouviu? E você? O que faria pelo seu amante? Largaria tudo por ele? Largaria a sua família? Fugiria daqui? Com o seu amor normal? Não... Não... É este o seu amor normal? Eu faria tudo por ti. Se me pedisse, eu morria agora com você. Fugiria para onde quisesse, abandonaria tudo! Eu, se fosse você, teria vergonha desse seu amor normal."

Vale a pena ver esta cena:





E tem até uma parte fofa onde ela lembra delas crianças, brincando de marido e mulher. É fofo ver a menina de chapéu, olhando para a outra com cara de apaixonada:



Em toda a minissérie existem diversas histórias interessantíssimas e com muitos personagens ricos, cada um com um lado psicológico muito marcante e com histórias extremamente humanas e próximas de todos nós. E, durante todo o texto, podemos identificar frases geniais de Nelson Rodrigues, como a do juiz que é completamente apaixonado por Engraçadinha e que faz tudo por ela mas, um dia, o filho de Engraçadinha reage e lhe dá um tapa na cara, humilhando-o. De porre, ele diz a um amigo que estava arrasado pela humilhação. E conta que fez de tudo para subir na vida, que chegou de uma cidade pequena que ninguém conhece e que "só virei juiz porque eu nunca me ofendi. O segredo de tudo na vida é não se ofender. Nunca se ofenda. Hoje, pela primeira vez na vida, eu me ofendi. E me sinto derrotado". Interessante, não?!

A única coisa que me deixa triste é perceber que uma série gravada há 17 anos pode ser muito ousada para os dias atuais. Acho que estamos vivendo em um mundo cada vez mais conservador, com uma mídia cada vez mais careta. Em uma entrevista para a revista OUT, Alexander Skarsgard (o vampiro lindo Eric do True Blood) disse que não consegue entender porque os americanos não aceitam uma cena de nú na TV mas assistem numa boa as pessoas humilhando ou batendo em outras pessoas. Ele diz (e eu concordo plenamente) que estas cenas de violência são muito mais pesadas para qualquer criança ou adulto e que este puritanismo americano com o sexo não tem o menor sentido.

Sinto que, infelizmente, seguimos pelo mesmo caminho. Afinal, acredito que em Fina Estampa deva ter uma cena comprida e super divulgada da surra tão esperada pelo público de Griselda em Tereza Cristina mas, com certeza, não teremos nenhum beijo gay, não é verdade?

Bom, o que me consola é que tudo já foi muito diferente e está acessível por apenas R$ 15. Um investimento que, com certeza, vale a pena.

16 de fevereiro de 2012

Satellite Voices

A revista super cool Dazed and Confused se juntou à sempre cool Swatch e lançaram o site Satellite Voices, uma plataforma cultural global com as últimas novidades em cidades espalhadas pelo mundo.



Correspondentes de Paris, Tokyo, Munique, Roma, Shanghai, Santiago, Moscou e Dubai postam novidades de suas cidades sobre moda, artes, filmes, música, design, cultura e fotografia. O resultado? Um site extremamente rico de informações com um ponto de vista efetivamente global. Dá para passar horas vendo as novidades de cada cidade e ver um pouco do dia a dia destas cidades.

O interessante do site é o fato dele ter como lema "Criações locais, inspiração global" e, por isto, escolheu trabalhar com cidades não tão conhecidas ou exploradas pelo mundo da moda e por outros setores (como o design, por exemplo) que sempre pesquisam e tratam tendências. Na Alemanha, Munique aparece no lugar de Berlim. E as hiper badaladas NY, Londres e Milão também não aparecem no site. Talvez seja porque as criações destas cidades sejam muito globais e também estão disponíveis em milhares de sites espalhados pelo mundo.

O legal é que dá para navegar por país ou por assunto. E o site apresenta muitas entrevistas e fotos feitas por correspondentes que moram nas cidades, o que dá uma cara mais autêntica para as matérias publicadas no site.

E não para por aí. No MixCloud (aplicativo do Facebook onde é possível ouvir rádios), o Satellite Voices tem um canal incrível, com mixes montados por pessoas destas cidades. Vale muito a pena se cadastrar e ouvir. Acabei de ouvir o mix Tokyo on Air: Eiko e é divino!

 Um detalhe fofo: a Swatch, patrocinadora do site, inseriu o ícone abaixo em diversas partes do site. Ele apresenta o novo display de seus relógios informando a hora local das cidades. Tem como não amar  uma iniciativa destas?

14 de fevereiro de 2012

Clipe interativo do Red Hot

Acabei de ver pela primeira vez o videoclip interativo do Red Hot Chilli Peppers. Os efeitos de interatividade são realmente incríveis, quer dizer, realmente interativos, pois antigamente a interatividade nos vídeos era sempre muito sem graça.

No vídeo você "anda" de sala em sala comandando pelo cursor do mouse e, em cada uma delas, um integrante do Red Hot aparece. Em alguns pontos de cada cenário há pontos especiais que, ao serem clicados, abrem uma galeria de fotos ou vídeo do making off. Está sem paciência de ficar procurando os pontos? Basta clicar no botão "Show Hints" que eles ficam em destaque para você. Super prático!

Muito interessante! Esta tecnologia mostra que é possível fazer algo realmente interativo sem ser bobo ou sem graça. Amei! E o legal é imaginar o que é possível fazer com ferramentas deste tipo.

Ah, a música nova é legal também :) Veja o vídeo abaixo:

9 de fevereiro de 2012

Novos modelos de negócio

A facilidade e a comodidade que a internet trouxe aos consumidores tem gerado diversos novos modelos de negócio em todo o mundo. A cada dia que passa, novas empresas surgem com a promessa de facilitar o dia a dia dos consumidores. O desafio é se destacar em meio a tantas opções. O segredo está em conseguir, efetivamente, facilitar a vida do consumidor, mostrando que a nova solução proposta agrega valor na sua rotina diária.

O site americano Trunk Club conseguiu isto. Partindo de uma premissa básica (e, infelizmente, verdadeira) de que homens não gostam de fazer compras, o site oferece um serviço que vai além da assessoria de compras: eles efetivamente selecionam e escolhem os produtos e “surpreendem” os consumidores que recebem em suas casas, mensalmente, um pacote com 8 a 10 itens comprados pelos consultores do site especialmente para o consumidor. Para comprar as peças, os profissionais levam em conta o perfil do usuário, cadastrado previamente no site.



O legal é que, se o consumidor não gostar das peças, ele tem até um mês para devolver. E o frete de entrega e de devolução das peças é arcado pelo site. Logicamente, com o passar do tempo, os consultores vão conhecendo melhor os seus clientes e a tendência é que a recusa das peças vá diminuindo com o tempo.

O site tem cerca de 3 mil consumidores que, em média, ficam com 50 – 60% do conteúdo das caixas que recebem. A rentabilidade do Trunk Club é alta pois  eles conseguem comprar as peças pelo preço de atacado. Para o comprador final, o custo médio de uma peça é de 70 dólares.



Ciente da falta de tempo dos clientes, a empresa disponibiliza diversos pontos de contato : telefone, email, Skype e até uma loja física, onde a pessoa pode provar e levar de imediato as roupas sugeridas pelos consultores. O negócio vem dando certo: passou de uma receita anual de US$ 1 milhão em 2010 para US$ 5 milhões em 2011.

Este serviço é restrito aos EUA. Mas fica a pergunta: será que algo semelhante faria sucesso por aqui? Afinal, as leis do consumidor e os níveis de prestação de serviços daqui são bem diferentes (infelizmente piores) do que nos EUA, o que talvez invalidasse o serviço oferecido pelo site. Mas, de qualquer forma, vale analisar o exemplo como uma boa prática. 


O vídeo abaixo mostra como funciona o site: