28 de dezembro de 2012

Irmãos Karamazov, um dos grandes romances da humanidade...

Faz algumas semanas que terminei de ler "Irmãos Karamazov", livro que fiquei olhando por quase um ano, parado na minha estante, esperando tomar coragem para ler as quase 1000 páginas do romance (999 para ser exato).

Mas o que pensei que fosse demorar séculos, acabou levando poucas semanas... É que fiquei apaixonado pelo livro. Que romance! As histórias são extremamente bem elaboradas, as personagens super humanas, os enredos comoventes. É realmente impressionante pensar que um escritor sozinho possa criar um livro tão rico, complexo e atemporal. Sim, apesar de ter sido escrito em 1879, é muito fácil vermos retratadas nossas questões e dúvidas pessoais nas histórias concebidas tão ricamente por Dostoiévski. Tanto que Freud chegou a declarar que o romance é "a maior obra da história".

Capa do livro da Editora 34


"Irmãos Karamazov" é tão bom que é muito difícil escrever sobre o livro. Por isto, acabei demorando mais de um mês para falar sobre ele aqui no blog. A história é complexa e é quase um tratado sobre a espiritualidade e a relação de pais, filhos e irmãos. É complicado até definir qual a mensagem principal do romance, então vou falar sobre o que senti e gostei no livro.

A história é uma novelona no estilo Avenida Brasil.* com direito a cenas bafônicas e a um começo eletrizante: nas primeiras 40 páginas, Dostoiévski conta todo o passado que leva à formação da personalidade das cinco principais personagens do livro: Fiódor, o pai mesquinho, libertino e inconsequente, Dmitri, o filho mais velho, impulsivo, forte e emocionalmente inconstante, Ivan, filho do meio, extremamente inteligente, racional e lógico, Aliéksei, filho mais novo, espiritualizado, calmo e tranquilo e Smerdiakov, suposto filho bastardo, inteligente, racional e amargurado. Notem que coloquei as três principais características de cada personagem pois elas são fundamentais na história pois os acontecimentos e reações das personagens se misturam como num embate de ideias e conceitos por todo o livro e é isto que torna toda a história tão interessante e inteligente.

Como se pode perceber, todas as principais personagens são homens e eu achei o estilo do livro bem masculino, mas não por conter momentos de ação, aventura, ou coisas do tipo e sim pelos tipos de inquietações e pela forma e dificuldade de mostrar a fragilidade de sentimentos, mostrados geralmente em conversas entre as diferentes personagens. Estes são os momentos mais lindos e marcantes do livro, como a apresentação de toda a filosofia do líder espiritual de Aliéksei, o monge Zozima, onde ele sumariza toda a sabedoria que acumulou na sua vida, exemplificando com uma análise completa dos fatos de sua juventude. Este capítulo é incrível e dá vontade de marcar todas as partes no livro.

Outro ponto marcante é a discussão entre os irmãos Ivan e Aliéksei sobre espiritualidade e a existência de Deus. Na verdade, são dois momentos principais: no primeiro, Ivan apresenta um conto que escreveu chamado "O Grande Inquisidor" onde conta uma história onde Jesus volta à Terra na época da Inquisição e realiza uma série de milagres. Ele é reconhecido pela população mas é preso pela Inquisição e antes de ser queimado, o Grande Inquisidor conversa com ele, explicando que sabe quem ele é e os motivos pelos quais a Igreja acha melhor queimá-lo. Ele argumenta que o fato de Jesus ter resistido às tentações do diabo em nome da liberdade é algo que não pode ser compreendido pelos homens e que a humanidade não está preparada para viver com a liberdade que Jesus acredita e prega e que todos precisam de alguém para dizer o que fazer, que caminho seguir. As pessoas não podem escolher sozinhas os caminhos que levam à felicidade e que tamanha liberdade só levariam todos ao sofrimento e nunca à salvação. E que ele (como Inquisidor) e a Igreja assumiam o fardo de tirar dos homens a liberdade e o poder de escolha para que pudessem ser felizes na ignorância. Jesus ao invés de responder a qualquer uma das acusações, decide simplesmente beijar os lábios do Inquisidor que, tocado com esta reação, deixe que ele suma pela cidade ao invés de ser condenado e queimado.

Cena do filme de 1969


Na segunda discussão, já no final do livro, Ivan explica a Aliéksei que resolveu escolher a liberdade e tomar as rédeas das escolhas de sua vida, agindo conforme a sua consciência e indo contra as escolhas racionais, partindo em auxílio do irmão mais velho Dmitri. Esta parte é igualmente tocante pois é o oposto do ponto de vista que ele defende na primeira discussão.

E, por fim, vale destacar a história do pequeno Iliocha, filho de um capitão que é agredido por Dmitri e humilhado na cidade. O menino presencia a violência contra o pai e, no dia seguinte, passa a ser humilhado pelos colegas da escola e se revolta contra eles. Acaba levando uma pedrada no peito e fica doente. Nesta época conhece Aliéksei e, com raiva dele ser irmão de Dmitri, investe contra ele e morde o seu dedo. Aliéksei tenta entender a fúria do menino e descobre toda a história. Ele acaba se comovendo e resolve contatar os colegas de Iliocha para fazer as pazes entre as crianças. A relação dele com os meninos e com o capitão que foi agredido é muito bonita e uma das histórias mais humanas e interessantes do livro. Eu até chorei em alguns trechos...

Logicamente que grande parte do livro gira em torno do assassinato do pai Fiódor onde o principal acusado é o filho Dmitri. A principal referência do livro é sempre em relação a este possível parricídio, mas, assim como em Anna Karienina (como já falei aqui no blog) esta não é a parte mais interessante do livro mas sim estas que falei acima. Dá para perceber que a personagem principal do livro nem é Dmitri mas sim Aliéksei que aparece em praticamente todos os momentos e é o central na primeira e maior parte do livro.

É realmente difícil escrever sobre o livro pela riqueza de detalhes nas histórias, mas é, com certeza, incrível! Um dos melhores livros que já li e provavelmente um dos melhores já escritos em todo o mundo! Sem exageros... Quer uma meta legal para 2013? Leia "Irmãos Karamazov". Com certeza sua alma vai agradecer :)

Feliz 2013 para todos !!

Procurei um vídeo sobre o livro e descobri que o filme feito em 1969 está disponível na íntegra no You Tube com legendas em português. Ainda não assisti mas quem quiser ver, basta clicar abaixo:



*Por falar em Avenida Brasil, quem já leu "Crime e Castigo" do Dostoiévksi percebeu que o final da Carminha foi muito parecido com o final de Raskolnikov no romance onde, depois de tentar fugir durante todo o livro, ele se rende e aceita a punição que lhe é cabida. A redenção dos dois é muito parecida.

11 de dezembro de 2012

Levi´s, como não amar?!


Eu já conhecia as coleções vintage da Levi´s e até já vi algumas peças sendo vendidas em Londres e em Tokyo, em cantos específicos nas lojas, mas nunca tinha pensado em pesquisar sobre isto na internet.

Estes dias resolvi dar uma olhada e olha que legal este site que eu descobri! Nele há toda a história da empresa e as principais transformações que o principal modelo da Levi´s - a lendária 501 - sofreu com o passar do tempo.

Para quem não conhece, a história segue um resumo do que está no site: O Levi Strauss era um imigrante alemão que foi aos EUA na época da corrida do ouro em 1853 com o intuito de vender roupas, lenços, roupa de cama, bolsas e casacos de chuva. No começo da década de 1870, ele passou a fornecer tecidos para o alfaiate o russo Jacob Davis. Uma das esposas de um minerador, cliente de Jacob, pediu ao alfaiate que fizesse uma calça muito resistente pois não aguentava mais remendar as calças do marido. O alfaiate pediu a Levi Strauss o tecido mais resistente que ele tinha e incluiu rebites de metal para reforçar as costuras dos bolsos.

Fotos antigas da Levi´s

Fotos antigas da Levi´s


Em pouco tempo, as calças ficaram famosas na região. Jacob Davis percebeu que tinha um bom produto nas mãos e recorreu a Levi Strauss - que na época já era um comerciante muito bem sucedido - para se tornar o seu parceiro e lançar o produto no mercado. Em 1873 eles receberam a patente americana sobre o produto chamado simplesmente de blue jeans. As primeiras calças eram feitas com um tecido de denim azul 9 oz importado de Manchester, na Inglaterra.

Desenho fofo dos modelos antigos, disponíveis no site


A primeira fábrica da Levi´s foi em São Francisco (onde é até hoje a matriz da empresa) e passou a ser vendida em todo o oeste americano. Em 1890 a patente da calça expirou e a concorrência começou a surgir. Além da calça jeans, a Levi´s passou a produzir todo tipo de roupa mas o principal produto foi - e continua sendo - a calça jeans.

Os modelos de calças foram surgindo com o tempo, mas a empresa fez pouquíssimas alterações na clássica 501. As alterações foram tão poucas que estão no site TODOS os modelos diferentes de 501 produzidos pela empresa. As fotos a seguir apresentam em detalhes os modelos de 1890 (o original), de 1944 com alterações necessárias devido às restrições de consumo resultantes da II Guerra Mundial e de 1966, a mais recente.

Detalhes da 501 de 1890

Detalhes da 501 de 1944, época da II Guerra Mundial

Detalhes da 501 de 1966, a mais recente.

É legal perceber que a história da Levi´s é praticamente a história do jeanswear. Se analisarmos o material de Marketing da empresa, vemos que é possível captar informações importantes e interessantíssimas sobre a história do comportamento do consumo de moda em todo o mundo. E, por isto, toda iniciativa da Levi´s para preservar e divulgar a sua história é algo sempre legal e encantador!

Se pesquisarmos os comerciais que estão disponíveis no You Tube, vemos que é possível ver o espírito da época em que foram feitos na linguagem e formato do comercial. O comercial abaixo mostra bem o espírtio dos anos 70, bem hippie e viajante:



E o visual totalmente 80 do comercial abaixo,veiculado em 1985?!




Este aqui usa um desenho fofo (em moda na época por causa do Roger Rabbit) para mostrar a ousadia da Levi´s de uma forma diferente:




Todos eles (e dezenas de outros mais disponíveis no You Tube) mostram um pouco o espírito da época em que foram feitos. Mas o melhor comercial até hoje (na minha opinião) foi o que mostra o jeans em todas as décadas:




Fantástico, não?! É por isto que eu digo: não tem como não amar a Levi´s!

29 de novembro de 2012

Phenomenon, criatividade e ousadia na moda masculina

Pesquisando sobre as coleções de moda masculina, vi o desfile de uma marca que eu não conhecia e que gostei bastante: a Phenomenon. A marca japonesa foi lançada em 2004, teve origem no bairro megahype Harajyuku e tem a cara da moda japonesa: moderna, diferente e interessante.

Phenomenon Verão 14

Phenomenon Verão 14


O designer responsável pelas coleções é Takeshi Osumi, um representante do hip hop no Japão. Olha que exótico! A última coleção que eles desfilaram na semana de moda de Tokyo realmente impressiona pelos fits diferentes, estampas ousadas e combinações de cores inusitadas que só dão certo quando um japonês pensa nelas.

Phenomenon Verão 14

Phenomenon Verão 14


Olha o desfile da coleção Verão 13 (que para a gente seria verão 14) que eles fizeram há 2 semanas:



O que eu mais gostei é que as combinações são irreverentes e ousadas mas sempre de uma maneira sutil, natural. São looks que dá vontade de comprar nas lojas e já usar no próximo verão! Infelizmente descobri no site da marca que os preços são bem caros.

Phenomenon Verão 14

Phenomenon Verão 14


É que, como toda marca japonesa, eles primam pela qualidade da produção da peça, o que já a deixa mais cara. E como vi que muitas peças estavam esgotadas nas loias online, acredito que também invistam na exclusividade das peças, o que as deixa caríssimas: uma camiseta custa cerca de 300 dólares, uma mochila 600. Mas mesmo assim, é legal ver uma marca que mostra que é possível inovar e ser ousado na moda masculina. Finalizo o post com mais algumas fotos da marca.

Phenomenon Verão 14

Phenomenon Inverno 13

Phenomenon Inverno 13

Phenomenon Inverno 13



28 de novembro de 2012

Novas formas de negócio na economia digital: agências de infográficos, lojas de fotos do Instagram, e-commerce de templates e fontes.

Buscando algumas informações sobre o mundo das redes sociais, acabei encontrando uma agência especializada em infográficos e templates que é bem legal: a Lemon Ly.

O lema da agência é criar conhecimento através de visuais: vídeos, apresentações e, principalmente, infográficos. Para quem não está familiarizado com o termo, são aqueles blocos de informação com figuras e gráficos que as revistas usam para ilustrar o tema principal das matérias.

O legal é que descobri no site deles que eles têm uma lojinha onde você pode comprar Gráficos, Templates (para sites, convites, blogs, etc.), Fontes e outras coisas de design. Tem muita coisa legal e o preço é bem em conta (variando entre 5 dólares e 60 dólares). Eles especificam o tipo de arquivo que você receberá. Em geral, arquivos para programas de design como Photoshop, Corel Draw e outros. Para acessar a loja, clique aqui.

O Lemon Ly é mais um exemplo dos tipos de negócio que têm aproveitado as ferramentas das mídias sociais e da internet para oferecer novos produtos e serviços. Um outro exemplo interessante é o Instacanv.as que é um site australiano que se conecta às contas dos usuários do Instagram e comercializa produtos feitos com a impressão das fotos dos usuários. Os produtos são bem legais: desde quadros com moldura, até cartões, calendários e capas de Iphone. O processo para ter a sua "galeria" é um pouco complexo mas depois de um tempo, ela fica no ar e você pode comprar e vender as suas fotos. O legal mesmo é ter um site onde você possa acessar facilmente as fotos que você publicou no Instagram sem ter que estar conectado no IPhone ou IPad. Já criei a minha galeria lá.. visitem: http://instacanv.as/fabiosandes

Bom, como eu disse no início do post, achei o Lemon Ly quando buscava algumas informações interessantes sobre redes sociais. E consegui! Lá tem um vídeo que mostra as "estrelas" das redes sociais em 2012, como se apresentasse um time de baseball. Fofo! As informações são bem interessantes também. Ele mostra que o Facebook fecha o ano com 1,1 bilhão de usuários, sendo que 600 milhões acessam a conta regularmente por celulares. O Twitter aparece em segundo lugar com 170 milhões de usuários ativos. O Instagram aparece com impressionantes 100 milhões de pessoas conectadas em todo o mundo, o Linked In tem mais de 60% dos seus 175 milhões de usuários morando fora dos EUA e o FourSquare contabilizou 2,5 bilhões de "check-ins" em 2012. Incrível, né?!



Para finalizar o post, coloco alguns infográficos interessantes que achei no site. O primeiro mostra os principais serviços de música na internet. eu só conhecia o Rdio e o ITunes Match. Aliás, já tinha até escrito sobre o Rdio aqui no blog.:


O segundo traz informações relevantes sobre o Twitter. Eu nem imaginava que terça e quarta eram os dias com mais tweets!


E o último é um infográfico tristinho: ele apresenta o grave problema que é até hoje a gravidez na adolescência. Achei bem interessante a forma direta e clara que eles encontraram para mostrar a informação. Conseguir este tipo de concisão é realmente uma arte. Curti!



26 de novembro de 2012

Kansas já pode se conectar à internet com velocidade de 1 GB

Já imaginou uma internet com 1 GB de velocidade? Os sortudos moradores de Kansas City já podem contar com isto em casa. E o que é mais legal: o serviço é oferecido pelo Google.

Prédio do Google Fiber


O Google Fiber é um produto novo da empresa que procura estabelecer um novo padrão de serviços de internet no mundo. Para alcançar a velocidade ultrarrápida, o Google investe na tecnologia de cabos de fibra e o serviço é cuidadosamente pensado para evitar quedas e oferecer o máximo de velocidade o tempo todo. Logicamente que isto requer uma série de aparelhos. O legal é que o Google já inclui na prestação de serviços o fornecimento de todos eles: um hd externo de 2TB para guardar tudo o que você quiser, uma caixa de rede para receber e distribuir o sinal, um aparelho específico para colocar a internet na TV, um roteador ultra potente e um tablet que serve como controle remoto de todos os aparelhos. E ainda conta com o suporte do Google Drive para armazenar o que quiser nas nuvens: para os assinantes do serviço, o Google disponibiliza 1 TB de espaço, suficiente para armazenar milhares de filmes e músicas em alta qualidade. É ou não é para deixar os nerds de tecnologia morrendo de inveja? Olha que legal o vídeo que o Google preparou para demonstrar a diferença de velocidade de conexão:



O serviço oferece a opção do usuário assinar internet ultrarrápida, internet ultrarrápida com TV a cabo e só internet sem super velocidade. Assim, o usuário decide entre pagar 120 dólares por mês para ter tudo, 70 dólares para ter só a internet ou nada por mês mais 300 dólares de instalação para ter o equipamento em casa e só a internet conectada em velocidade normal.

Espero que esta tecnologia chegue logo ao Brasil. Hoje já temos o Vivo Fibra que chega até 200 MB/s mas custa cerca de 300 reais por mês só o serviço de internet. É caro e não é tão rápido mas já é um avanço. Além disto, como o vídeo do Google mostra, o serviço de internet por fibra é mais estável e constante que os demais:





O infográfico abaixo apresenta as cidades com as maiores e menores velocidades médias de conexão no mundo. Apesar de não citar o Brasil, no mapa mundial as bandeirinhas mostram que as nossas velocidades estão abaixo da média mundial. É, está mais do que na hora do Google Fiber chegar por aqui.. Mas acho que não vai rolar... :(






9 de novembro de 2012

Tokyo, um outro mundo do outro lado do mundo.


Viajar sempre é bom. É uma pausa na vida, uma forma de respirar com mais liberdade. Além de aumentar (e muito) a sua cultura. Nas minhas últimas férias, fiz uma viagem incrível. Fui a Amsterdã e a Tokyo. Ao todo foram quase 3 semanas. Para ser mais exato, 20 dias, nos quais descobri um mundo totalmente novo.  Amsterdã é uma gracinha de cidade e as minhas impressões sobre a cidade podem ser vistas neste post.

Agora Tokyo foi realmente uma experiência única! É impressionante vivenciar uma cultura tão diferente da que estamos acostumados. E olha que, se pararmos para pensar, as diferenças nem são tão extremas assim, afinal, trata-se de uma metrópole com um estilo de vida muito parecido com o de São Paulo. Mas, mesmo assim, tudo é tão diferente que temos a certeza de que estamos do outro lado do mundo. Ou que estamos (sem exageros) em outro mundo.

Fotos da arquitetura hiper moderna de Tokyo


As diferenças são sutis mas significativas. Duas delas chamam muito a nossa atenção: a limpeza da cidade e a educação das pessoas. Todos são extremamente gentis, educados e civilizados. Há um senso de respeito ao outro em todos os lugares e em todos os momentos. Regras simples de convivência que quase sempre vemos ser ignoradas por aqui, lá são tão naturais que parecem fazer parte do corpo das pessoas, orgânicas, como respirar. Ações como não jogar lixo no chão, esperar sair para depois entrar, falar baixo, não falar no celular em locais públicos, deixar a direita livre para quem está com pressa (sim, lá é ao contrário), cumprir horários, cumprimentar de forma amigável, agradecer a presença, estar atento e oferecer ajuda é algo que praticamente todos os japoneses entendem como regras obrigatórias de convivência e cumprem sem o menor esforço.  Assim como cuidar da limpeza das ruas. E olha que tem pouquíssimas lixeiras nas ruas. As pessoas ou descartam em lixeiras especiais localizadas em lojas ou no metrô, ou carregam o lixo para casa e descartam lá. É inimaginável você jogar lixo na rua, afinal, a rua não é sua e sim de todos. E você é tão responsável por sua limpeza como qualquer um. E todos fazem a sua parte.

Bom, viver 2 semanas num mundo tão civilizado nos faz perceber como tudo poderia ser melhor. E o triste é saber que, para isto, não custa quase nada. É uma questão de educação. Só isto.  E olha que eu nem comentei sobre a segurança. Logicamente que em um país tão civilizado não existe nenhuma preocupação com segurança. Você pode andar totalmente despreocupado. Ninguém vai tentar te roubar, te enganar ou até mesmo pegar algo que você esqueceu ou deixou solto por aí. Se você estiver num shopping e deixar a bolsa em um banco e for ao banheiro, quando voltar, a bolsa estará lá. No máximo, alguém pode ter levado para a Administração do Shopping, achando que a bolsa estava perdida. Muitas pessoas em Tokyo nem trancam as casas, tamanha é a certeza de que ninguém fará nada de mal. E olha que estamos falando de uma cidade com o dobro de pessoas de São Paulo.

Fotos de lojas de Tokyo


Além deste choque cultural incrível, ainda tem uma cidade extremamente rica, bonita e interessante para descobrir. Vou listar aqui algumas dicas e passeios sobre Tokyo. Eu tive a ajuda de dois amigos queridíssimos: o Felipe Nuno que mora aqui no Brasil e visitou Tokyo algumas semanas antes e montou uma lista incrível de coisas para fazer e do Sadao, um amigo de longa data e que mora lá há 16 anos e que me proporcionou experiências únicas e super especiais. Arigatô para eles!

Um assunto à parte é o transporte. Á primeira vista, assustamos quando vemos o mapa de metrô de Tokyo. São tantas estações que parece que vamos ficar completamente perdidos. Mas é tudo extremamente organizado e fácil de entender. Primeiro porque as estações têm nome e número. Então, se você está na linha Z e na estação 4 e quer ir para a estação Z7, tem que pegar o trem onde a numeração aumenta. Tem toda uma lógica que depois de um ou dois dias você fica totalmente familiarizado. O metrô tem algumas características específicas que chamam muito a atenção: o horário que aparece é sempre cumprido à risca, existem espelhos em diversas estações para você se ver e arrumar o look, é considerado feio comer nas ruas e no metrô, com exceção apenas a bebidas que são vendidas em maquininhas viciantes em praticamente todos os lugares da cidade e, logicamente, dentro das estações. Outra coisa interessante é que os vagões do trem são sempre numerados. Depois de pensar muito sobre o motivo deles numerarem os vagões, entendi que existe uma placa em todas as estações mostrando em qual vagão você deve ficar para descer mais próximo à conexão com a outra linha do metrô. Civilizado, não?! Civilizado mesmo é ver que, mesmo com a estação lotada de pessoas, todos esperam as pessoas saírem para entrar no metrô, não importando se vai dar tempo ou não de entrar no trem. Se não der, esperam o próximo, sem nenhum problema. Um detalhe fofo: para avisar que as portas vão fechar, ao invés de barulho chatos, tocam uma musiquinha. Achei cute!

Mapa de metrô de Tokyo. Sim, cada pontinho é uma estação!


Bom, falando um pouquinho da cidade: um dos lugares que achei mais legal de conhecer foi o Mori Museum, um museu de arte contemporânea que está em Roppongi, um bairro hiper moderno com prédios de mais de 40 andares. O próprio museu fica no 52º andar e pagando um pouquinho a mais você pode ir ao 54º andar e tirar fotos incríveis da cidade. Lá é bem pertinho da Tokyo Tower, uma versão vermelha da Torre Eiffel. Elegantérrima! Lá eu vi uma exposição de arte contemporânea árabe e fiquei impressionado com as obras. Muito legal. E a loja do museu é apaixonante. Você quer praticamente tudo. Mas não consegue comprar praticamente nada..rs.. Mas sai feliz mesmo assim.. (lá é meio que sempre assim). É legal ir à noite para andar em Roppongi mas é melhor ir de dia no museu para tirar as fotos. O ideal é ir no final da tarde e fazer as duas coisas ao mesmo tempo. A entrada é meio cara mas vale a pena: 2000 yen para ver tudo (cerca de R$ 55).

Uma das obras expostas no Mori Museum


O Tokyo Sky Tree é o monumento mais alto de Tokyo. Lá é possível ver a cidade de 350 metros de altura. E de mais de 400 se você for até o segundo miradouro. Como é novidade, o lugar é super procurado e está sempre cheio. Mas como estamos no Japão e lá é tudo muito organizado e civilizado: assim que você chega recebe um papel com o horário no qual você deve voltar para, depois de 30 minutos, subir na torre. O local tem um shopping com diversas opções de alimentação. É fácil achar o que fazer enquanto espera. O passeio vale a pena pela experiência. Pelas fotos nem tanto, pois é tão alto que parece que estamos tirando foto de dentro de um avião. Este passeio custa também uns 2000 yen.

O Tokyo Sky Tree e uma foto da vista lá de cima (detalhe: a câmera está no máximo do zoom).

No Ueno você encontra o Museu de Tokyo, o parque Ueno e o Zoológico. É um passeio bem legal .. mas comprido. Você fica um dia inteiro vendo tudo o que tem por lá. Parece bobo mas é legal visitar o zoológico. Isto porque eles têm bichos diferentes como urso polar, leão marinho e os pandas fofinhos e dorminhocos. O Museu é muito tradicional e o prédio é mais interessante que o que está exposto lá. O bom destas atrações é que são todas baratinhas, entre 400 e 600 yen.

Fotos de Ueno, parque, museu, templo e zoológico em um único lugar.


Tokyo tem diversos templos.Todos são lindos e cada um tem detalhes únicos. Mas não dá para entrar em todos. São centenas. O templo mais legal que eu conheci não foi em Tokyo mas em Kamakura, uma cidade que fica a uns 45 minutos de trem. Vale muito a pena conhecer o templo Hesa Dera e o buda de 9 metros de altura. As duas atrações são bem próximas uma da outra e ambas são próximas do trem. É encantador ver as diversas nuances nos templos e a atmosfera tranquila de uma cidade pequena como Kamakura. Fofo, fofo! Um dos passeios que eu mais gostei.

Fotos do buda e do templo Hesa Dera em Kamakura


Um passeio simples e bobinho mas que gostei bastante foi ir à Honda e ver o robô deles em ação. Eles fazem apresentações ao público duas vezes por dia. É legal ver o que há mais de moderno em robótica ao vivo. Pode parecer sem graça mas quando você vê com os seus próprios olhos um robô à la Jacksons funcionando perfeitamente, você fica impressionado.

Eu e o robô Asimo


Harajuku é um bairro único. Lá tem a famosa rua Takeshita Dori onde os japoneses mais modernos passeiam e chamam a atenção por suas roupas extravagantes. A moda é um assunto à parte. Não existe nada igual a Tokyo em relação a estilo. É de cair o queixo! Fiz uma matéria especial sobre o assunto para o site Guia Jeanswear. Vale a pena ler.


Os bairros de Aoyama, Ginza e Harajuku têm lojas incríveis e ficamos fascinados com tanta riqueza e variedade. Tem loja para tudo. E tudo de tudo. O luxo das lojas e o movimento de compras dos próprios japoneses impressionam muito.

Fotos do Jardim Imperial, um lugar lindo para caminhar. Fiquei hospedado em frente ao parque.


Fui ainda para Kyoto e visitei alguns templos incríveis. Mas tivemos que fazer tudo em apenas um dia e foi corrido. Uma pena pois dá para ver que a cidade tem muito a oferecer. Quem sabe na próxima vez?! Eu, com certeza, vou querer voltar.

Templos de Kyoto incrivelmente lindos! Todos considerados patrimônio da humanidade.

31 de outubro de 2012

Admirável Mundo Novo é um livro admirável!


Confesso que li “Admirável Mundo Novo” com um pouco de resistência. Achei que fosse encontrar uma história batida, com cara de passada, afinal, tudo o que sabia do livro era que contava sobre um mundo no futuro onde tudo era previamente planejado e programado, todos eram felizes mas que, para chegarem a este estado, as pessoas eram totalmente controladas pelo governo.

Capa do livro


Não que esteja errado. É basicamente isto mesmo. Mas “Admirável Mundo Novo” é muito mais do que só isto. É um livro inteligente e muito interessante. Ao apresentar um mundo tão planejado e controlado, Huxley encontrou uma forma criativa de discutir a dificuldade que as pessoas têm de lidar com a liberdade. Ele parte de um raciocínio simples (e até lógico): se todos querem ser felizes, por que não construir um mundo em que ser feliz aconteça de maneira automática? Assim, basta seguir regras simples e as pessoas terão tudo aquilo que desejam e podem desejar: dinheiro, roupas, satisfação profissional, sexo.

Mas, para conseguir isto, as pessoas não podem escolher o caminho que quiserem, afinal, se cada um quer ser feliz de um jeito particular, não é possível que todos sejam felizes. Apenas alguns. A solução é excluir a liberdade das pessoas para buscar caminhos diferentes e anular o sentimento de individualidade, uma vez que sem a percepção de si, as pessoas passam automaticamente a desejar aquilo que é projetado para ser desejado por todos.

Montagem sobre o SOMA, artifício químico que as pessoas consomem no livro


É claro que fazer isto não é uma tarefa fácil. É algo que requer tempo e muito, mas muito, controle: as pessoas não podem ter família ou pares românticos, afinal, não devem identificar ninguém (e nem serem identificados) como uma pessoa especial, insubstituível. Todos devem ser iguais e substituíveis. Não podem se questionar sobre o que desejam. Devem apenas aceitar que o que está programado para elas é o que elas realmente desejam. Sem questionamentos, sofrimentos ou dúvidas. Para chegar a este tipo de comportamento é preciso condicionamento mental. Feito desde o berço e mantido por toda a vida adulta. Além disto, como todas as pessoas são diferentes (a variação de códigos genéticos é imensa), porque não agrupar os indivíduos por tipos físicos e programar as funções que cada grupo desempenhará na sociedade? Assim ninguém fica insatisfeito com o que fazem (em relação aos outros) pois as próprias limitações físicas explicam e justificam a diferença de posição na sociedade. Tudo em nome de se conseguir uma vida “civilizada”.

Tudo muito lógico e racional. Mas isto não é suficiente para conter as inúmeras oitavas que as necessidades, desejos e percepções humanas possuem. Huxley introduz um personagem “selvagem” na história que, nada mais é do que uma criança que cresceu fora do mundo de condicionamento a que todos estavam habituados. A forma como este “selvagem” encara a chamada “vida perfeita”, da sociedade ideal onde todos podem ser felizes mostra, ponto a ponto, tudo o que se perde para ter uma vida programada, cheia de regras e “feliz”: o amor, os pais, as relações, os desejos, as dúvidas. Tudo isto é mostrado de uma maneira tão genial por Huxley que, no fim do livro, percebemos que todas as angústias, dúvidas e incertezas que nos atormentam e nos fazem sofrer em nossas vidas particulares nada mais são do que bênçãos que nos levam ao nosso caminho pessoal para a felicidade. Isto no mundo real, tanto no presente, como no passado e como será no futuro. Por mostrar isto de uma maneira tão particular e criativa, afirmo sim que este é um livro ADMIRÁVEL!

Olha que legal este vídeo que achei no You Tube com o Huxley em pessoa falando sobre o livro e sobre o perigo que ele via em isto se tornar realidade um dia:




29 de outubro de 2012

A forma como a Moda pode ajudar um grupo de jovens africanos

Qual a ligação entre a hiper mega super badalada loja Colette, situada em Paris e um grupo de jovens na Serra Leoa? A moda, claro. Para quem não conhece, a Colette é uma loja de coisas legais. Acho que esta é a melhor forma de descrever uma loja que tem uma seleção super exclusiva de roupas, tênis, música, acessórios e tudo mais. No piso superior da loja tem uma lojinha supercool de cosméticos e um espaço para exibições bem transadinho. Na última vez que estive por lá, vi a exposição "Mom Dad" com fotos inusitadas dos pais do fotógrafo uberfashion Terry Richardson.

Ilustração da loja Colette

Foto da exposição "Mom Dad" da Terry Richardson na Colette



Bom, no primeiro semestre deste ano eles venderam com exclusividade uma coleção de tênis muito especial, nascida da parceria da marca K1X com a Folorunsho (este nome esquisito e exótico parece e é africano. Significa "nascido sob os olhos de Deus"), Eles descobriram um grupo de 20 jovens chamado Base Lion em Freemont, na Serra Leoa que viviam juntos, na marginalidade, como uma gangue. Superado o medo que os habitantes locais colocaram sobre a "temível" gangue, descobriram que na verdade, estes jovens viviam em um sistema de apoio mútuo de crianças que foram viver nas ruas muito cedo e que desenvolveram uma espécie de família, dividindo o mesmo espaço e convivendo juntos.

Um dos modelos comercializados

Um dos jovens com o tecido que criou para a coleção de tênis


Tocados pela história, começaram a pensar em ações que pudessem ajudar, de verdade, o grupo, sem partir para formas tradicionais de doação de dinheiro e outros recursos que eles consideram uma forma de humilhação que mantém a dependência de quem recebe a caridade. Ao invés disto, desenvolveram uma coleção de tênis exclusiva com 20 modelos feitos com um tecido tingido manualmente por cada um dos membros a partir de uma técnica manual chamada Batik. Para saber como funciona esta técnica, clique aqui.

Imagem de divulgação do projeto

Imagem de divulgação


Os modelos receberam o nome do seu criador e foram vendidos com exclusividade pela Colette por 130 euros o par. Parece caro mas o visual do tênis ficou realmente legal. E quem compra ainda ajuda a melhorar a situação de vida destes jovens: 100% do lucro foi enviado para o grupo Base Lion. Esta ação se juntou a outras semelhantes (como o lançamento de um livro de fotos) e melhorou muito a condição de vida destes jovens que conseguiram sair das ruas e alugar dois apartamentos na cidade. E todos puderam voltar a estudar. Nos vídeos abaixo vemos um pouco mais sobre o projeto. Vale a pena assistir. Fica a dica para quem quiser pensar em ações semelhantes no Brasil...Legal, né?!




24 de outubro de 2012

Prada patrocina museu de 24 horas em Paris

A Prada sempre tem ações bem legais e ligadas ao mundo da arte e, por isto, sempre dou uma olhadinha no site deles para ver o que tem de novidade. Há algum tempo eu até falei sobre o filme que eles produziram com o Polanski aqui no blog.

Hoje vi que eles fizeram uma ação bem inusitada no começo deste ano. Eles patrocinaram uma exposição do artista plástico italiano Francesco Vezzoli, com um conceito definido em parceria com a AMO, um think tank com forte experiência em design e arquitetura (think tanks são organizações que pesquisam e difundem ideias, conceitos e tendências).

Anna Wintour chique no evento 


A exposição ocorreu no Palais d´Iena em Paris e durou somente 24 horas. O evento contou com uma série de eventos paralelos como um jantar de gala seguido por uma festa, ambos somente para convidados. O público teve acesso gratuito ao museu em horários pré-definidos e o evento encerrou com uma vernissage. É engraçado ver toda a estrutura que eles montaram para um evento de apenas um dia. É, os franceses estão acostumados mesmo a ações grandiosas. Lembra do post sobre o desfile com um milhão de flores da Dior?!

Festa museum24h


Vezzoli aproveitou o espaço do museu 24 horas para fazer um tributo à magia da feminilidade pela releitura de esculturas clássicas a partir de referências às divas contemporâneas. Com um que de pop art, ele inclui cores e fotos às esculturas, resultando em peças bem irreverentes e interessantes.

Exemplo de obras de Vezzoli, expostas no Museu 24h


Para se tornar mais amplo o alcance da ação, a Prada e a AMO investiram na internet e nas redes sociais. O site da iniciativa abre com um vídeo com flashes do evento de gala (que foi chiquérrimo, com várias personalidades da moda e da arte, como o próprio Polanski e Anna Wintour), fotos, um livro para download e informações completas sobre o evento. Ah, um detalhe chique: a DJ da festa no evento foi a Kate Moss!

Kate Moss curtindo a festinha

Mas o legal do site percebi só depois de um tempo. Os botões do site ficam no meio da página e em todo o resto da página aparecem fotos de pessoas enquadradas num estilo vintage e que se movem de forma linear. Depois descobri que estas fotos vêm de um aplicativo que eles fizeram no Facebook onde as pessoas escolhem uma foto do Facebook ou enviam uma foto qualquer e eles fazem uma imagem com o conceito trabalhado pelo artista: primeiro envelhecem a foto ao tirarem a cor, depois você deve escolher uma moldura vintage e, por fim, um toque que é um charme. Você deve escolher o local onde colocará uma espécie de lágrima colorida que faz parte de um dos trabalhos mais conhecidos do artista. E voilá! A foto está pronta para ser divulgada no Facebook e, depois de um tempo, migra para a capa do site. Legal, né?!
Para acessar o aplicativo no Facebook, clique aqui. Veja a foto que fiz:

Minha foto, feita no aplicativo


E não é que o visual do site ficou ótimo com as fotos e achei a ideia de interação bem criativa. E quando você passa o mouse acima da foto aparece o nome da pessoa. Bem interessante!

Capa do site do Museum 24h

O resto não saiu do normal. Fizeram uma apresentação do evento ao vivo pela internet e divulgaram todas as novidades pelo Facebook.  O que vale mesmo é a ideia de usar as fotos das pessoas como parte do layout no site e a iniciativa da Prada de patrocinar o mundo da arte desta forma. Chique!

As fotos deste post foram coletadas no site museum 24.












17 de outubro de 2012

MUJI e ItoYa, lojas incríveis japonesas


Em Tóquio encontramos lojas de todos os tipos. Nas minhas férias descobri várias e vou falando delas aos poucos aqui no blog.

Interior da loja Muji



Uma delas eu já conhecia e gostava muito: a MUJI. A primeira vez que conheci a marca foi em Paris em 2008 e fiquei encantado com o conceito da loja :”Produtos sem marca e com qualidade”. Isto significa que eles procuram oferecer ao mercado produtos onde o foco é o design e a qualidade do produto e não cobram caro por isto. É, na verdade, uma espécie de protesto ao consumo excessivo de artigos de luxo, uma realidade que é presente no Japão há muito tempo e que instigou os fundadores da MUJI em criar a empresa para mostrar que não é preciso pagar caro para se ter produtos de qualidade.

Muji Yurakucho

Muji Ginza


Bom, a loja cresceu rapidamente e a MUJI é hoje uma empresa gigante que oferece todo tipo de produto: desde alimentos até móveis, passando, é claro, pela moda. As coleções da MUJI são mais básicas com um design bem clean, como tudo que fazem. Lá você não encontra peças com cortes e cores da última moda. Mas sim opções de peças básicas com um design interessante e um material de ótima qualidade.

Catálogo de roupas do aplicativo da MUJI

Manequim com roupas MUJI


Com 12 lojas na Inglaterra e 6 na França, franquias e pontos de venda em dezenas de outros países, a MUJI se internacionalizou. Mas é no Japão que podemos ver todo o seu poder. As lojas são imensas, têm de tudo. Em Yurakucho eles têm uma loja completa e que conta, inclusive, com um restaurante delicioso onde você pode se deliciar com comidas que você não sabe o nome mas que são ótimas. E tudo a um preço muito bom! Um almoço completo sai por cerca de R$ 18.

Comidinhas vendidas na loja

Exposição de peças Muji "Labo" na loja de Yurakucho


O lado inovador da MUJI não para por aí: este ano resolveram mostrar para os japoneses que é possível viver com praticamente TUDO fornecido pela empresa. Eles lançaram um concurso onde o vencedor ganhará como prêmio uma moradia em Tóquio por 2 anos numa casa construída pela MUJI e onde tudo que tem dentro da casa é produzido e comercializado pela empresa. As inscrições acabaram em junho e eles devem anunciar em breve quem será o sortudo que vai morar com qualidade e de graça por 2 anos. As inscrições foram feitas pelas redes sociais Facebook e Twitter. O vídeo abaixo apresenta imagens de como é a casa. E informações sobre o concurso. (Como é somente para japoneses, tudo está em japonês...sorry! Mas dá para ver as imagens da casa).



Agora uma das coisas mais legais que tem na MUJI é toda a parte de papelaria e casa. Dá para ficar horas e dá vontade de comprar simplesmente tudo porque os japoneses são incríveis em design. E até difícil de imaginar que possa existir uma loja com mais opções que a MUJI. Mas no quesito papelaria tem sim: a Itoya.

Loja ItoYa em Ginza

Interior da loja ItoYa


Com lojas gigantescas e lindas, o foco da Itoya é papelaria. Em Ginza, eles têm uma loja com 10 andares de papelaria. Um andar só para lápis de cor e canetas. Outro só para cadernos. Outro para papéis. E assim vai. É de enlouquecer! Sem exageros, é fácil passar um dia inteiro olhando a variedade impressionante de produtos da loja. E há diversas outras espalhadas pela cidade. As imagens abaixo mostram um pouco como é a loja. Viciante! Ponto obrigatório para quem quer conhecer as lojas de Tóquio!







Incrível, não?!