6 de outubro de 2010

Redescobrindo uma revista: Bravo!

Fiquei muitos anos sem comprar e sem ler a revista Bravo! Achava os textos duros, difíceis, não despertavam o meu interesse.. No mês passado, resolvi comprar a Bravo para ler a matéria especial da Bienal de São Paulo e, muito feliz, redescobri a revista!



Neste mês fiz o teste final.. assim que a revista chegou às bancas, resolvi comprá-la novamente e conferir a edição. E confirmei as minhas expectativas.. a revista está realmente ótima! Ou eu estou mais apto a entendê-la, afinal, acho que devia ter uns 20 anos quando a li - com atenção - pela última vez.

A matéria de capa está incrível! Devo confessar que nunca dei muita bola para o Ferreira Gullar.. mesmo com o Licurgo me dizendo que ele era ótimo, eu tinha um pouco de resistência e nunca dei atenção ao seu trabalho .. Lendo a matéria escrita pelo jornalista João Barile para a revista, vi o que estava perdendo..



Aliás, o que mais me (re)aproximou da Bravo foi o tom das matérias.. Elas são todas, em geral, escritas de uma forma especial. Os textos apresentam não apenas a notícia, mas contextualizam o assunto, tornando-o interessante e pessoal ..

Lá, por exemplo, descobri o texto que Gullar escreveu após a morte da Clarice Lispector:

"Enquanto te enterravam no cemitério judeu
do Caju
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção do Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós"
("Na vertigem do dia")



A matéria apresentou 6 textos lindos do Gullar que, simplesmente, me deixaram impressionado com o seu trabalho. O texto seguinte conta a história dele contra os poetas concretistas, algo que eu também desconhecia e achei bem interessante.

Até as matérias que falam de livros que estão sendo lançados, ou peças que estão em cartaz, são super bem escritas, informam e contextualizam, explicam porque as coisas são (ou não) especiais.. dá para perceber o supercuidado que a redação dá a todas as matérias..

Para quem, como eu, está acostumado a ler notícias em sites ou acompanhar o que acontece no mundo em blogs e afins, ao ler uma revista como a Bravo tem-se a sensação de estar lendo um romance, tamanha a diferença na qualidade do texto.. não que não existam blogs e sites com textos superbons, mas, na maior parte dos casos, o texto é puramente informativo e (infelizmente em muitos casos) publicado com pouca ou quase nenhuma revisão..

A última matéria da revista é uma parte de uma ficção inédita..a deste mês é bem boa mas confesso que gostei mais da do mês passado. Fechar a revista desta forma realmente faz com que, quando chegamos à última página, tenhamos mesmo a sensação de estar lendo um livro...Bravo!

Ah, quando estava pesquisando imagens no Google para ilustrar este post, digitei gullar e bravo, e olha o que apareceu..


Olha que fofo!! Um cachorro bravo! Rsrs... Com textos bem ou mal escritos, devo confessar, eu simplesmente AMO a internet !!

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