26 de outubro de 2010

Demo Slam - Google investe na web 2.0

Hoje descobri o Demo Slam, uma iniciativa do Google totalmente voltada para a web 2.0.. Com uma ideia bem simples e criativa, o Google lançou um site onde publicará os melhores trabalhos que receber dos internautas.. o tema? instruções de uso para as ferramentas gratuitas do Google.. brilhante, não?!

As pessoas montam vídeos sobre qualquer uma das ferramentas disponibilizadas pelo Google.. o intuito é mostrar como usar as ferramentas.. até o vídeo explicativo do projeto é super bem feitinho e com cara de feito em casa...



Toda semana o Google elege os dois melhores vídeos e faz uma espécie de batalha, colocando em votação os dois vídeos... para ver os candidatos, basta acessar o site .. Lá, todos podem enviar os vídeos..

Vi alguns dos vídeos e tem uns bem interessantes mesmo.. por exemplo, tem uma ferramenta para celular onde o usuário pode escanear uma imagem e o Google automaticamente reconhece a figura e busca a informação sobre a imagem.. assim, ao escanear a capa de um livro, por exemplo, o Google reconhece o título do livro e traz informações sobre ele na sua famosa página de pesquisa.. esta ferramenta se chama Google Goggles.. (óculos do google).. o legal foi descobrir esta ferramenta com o vídeo abaixo:



Eles decidiram recriar o monte Rushmore para ver se o Google Goggles reconheceria a imagem e buscaria no celular.. o melhor é ver a alegria deles quando dá certo.. rsrs...

Já tem vários vídeos disponíveis.. uns bem legais, outros bem tosquinhos.. típico da web 2.0.. afinal, tem gente que realmente se dedica a criar algo relevante.. outros só querem aparecer.. tem de tudo.. o que achei mais criativo e fofinho foi o vídeo abaixo.. só não entendi direito qual a ferramenta que eles quiseram testar.. será que é o fato de colocar qualquer imagem como background da página do Google?



Achei que ficou bem fofo.. e foi bem original..

O legal desta iniciativa do Google é que é uma ideia bem simples que exigiu muito pouco recurso e que já incentivou milhares de pessoas a participarem do projeto.. nas minhas pesquisas para o mestrado descobri que um dos motivos mais relevantes para uma pessoa ingressar em um boca a boca na internet é uma espécie de recompensa social por sugerir algo aos demais internautas.. acho que o espírito é este mesmo e, por isto, tantas pessoas se dedicam tanto a se candidatar para entrar na galeria do Google..

18 de outubro de 2010

America OnLine incentiva artes

A logomarca foi modernizada com a ajuda de artistas

A America OnLine foi a primeira grande empresa a surgir na internet... Desde o princípio, ela estava lá..... Este ano, ela completou 25 anos de existência (!!) .. Logicamente, com o passar do tempo, ela foi se tornando muito conhecida e deixou - há tempos - de ser sinônimo de modernidade e novidade.

Dan Stiles

O aniversário parece ter mexido com o espírito da empresa. Este ano ela lançou o projeto On Creativity que é uma espécie de galeria de arte eletrônica onde artistas hipermodernos expõem trabalhos feitos para a AOL. Este espaço além de divulgar o trabalho dos artistas é ainda uma forma que a empresa encontrou para incentivar a arte de uma forma que agregue valor para a marca AOL, renovando a sua imagem perante os consumidores americanos. Além da galeria, o On Creativity tem o 25 por 25, um concurso que oferece 25 prêmios de USD 25 mil para projetos de artistas, fotógrafos e jornalistas de todo o mundo que tenham uma proposta de trabalho revolucionária.. as inscrições foram até o dia 20 de setembro e acredito que em breve eles devem divulgar o trabalho dos 25 vencedores.

James Taylor

Por enquanto, podemos admirar  o trabalho dos artistas contratados pela AOL para expor os trabalhos na sua galeria virtual. Lá descobri vários artistas legais como os designers gráficos Antoine e Manuel

 Antoine + Manuel

Ou o ilustrador Dan Stiles que tem uns trabalhos muito fofos expostos na galeria...

Dan Stiles

Além de ver os trabalhos destes artistas novos, modernos e hipertalentosos, podemos conferir também entrevistas com eles em vídeo, falando sobre o trabalho desenvolvido no site...Falando em vídeo, encontrei este vídeo bem legal do Antoine + Manuel no YouTube, onde eles mostram uma exposição gráfica na internet..




Para quem é artista e quer fazer parte do projeto, o site oferece uma página de contato onde as pessoas podem submeter os trabalhos que elas desenvolvem para análise da AOL e uma possível participação no projeto. Boa sorte!

13 de outubro de 2010

Twitterature - "The classics are so last century"



Andando na Livraria Cultura neste feriado descobri o livro Twitterature. Nele, os estudantes da universidade de Chicago Alexander Aciman e Emmett Rensin tiveram a criativa e curiosa ideia de recontar dezenas de livros clássicos da literatura em apenas 20 tweets ou menos.

O objetivo, segundo os organizadores, é tornar a literatura mais acessível e com a cara do século XXI. Para isto, convidaram diversos amigos onde cada um escolheu um livro e assumiu uma postura de narrador ou personagem e lançou os tweets contando a história do livro. Logicamente, o resultado é bem divertido e, de uma maneira geral, pode-se perceber que foi feito mais como uma homenagem à literatura como qualquer outra coisa.



O espírito brincalhão do livro pode ser percebido no tom usado nos tweets.. lá vemos, por exemplo, um Hamlet twittando frases como "Gonna try to talk some sense into Mom because boyfriend totally killed Dad" (algo como "vou tentar passar um pouco de bom senso para a minha mãe porque o seu namorado literalmente 'fritou' o papai") ou o vizinho do Gatsby twittando: "This guy knows how to PAAARRRRRTTTTTYYYYY! Quick: Gatsby's house!!! Txt for directions!"("este cara sabe fazer uma feeesssttttaaa! Rápido: casa do Gatsby. Txt para a direção")

O livro é bem divertido e, de uma forma simples, acaba deixando ao menos a curiosidade de se entender melhor a história e, então, recorrer aos clássicos. O livro tem tido uma boa repercussão na mídia e foi lançado em diversos países. Das críticas que vi, gostei tanto da do The Guardian que coloquei no título da postagem: "The classics are so last century"( "os clássicos são tão do século passado!").

É legal perceber como a forma de comunicação atual é muito, mas muito diferente mesmo, da forma clássica. E é um exercício muito interessante tentar fazer isto com algum texto ou livro que você goste.. porque para recontar a história com tweets é preciso entender bem o texto para, então, recontá-lo como se fosse seu.. ou como se você fosse umas das personagens..

Resolvi tentar fazer isto nestes próximos dias.. vou pegar uma das minhas crônicas preferidas "Pequenas Epifanias" do Caio Fernando Abreu e vou colocá-la em formato de tweets na minha conta no Twitter .. Deixo aqui o texto integral desta linda crônica:

Pequenas Epifanias
Caio Fernando Abreu






Dois ou três almoços, uns silêncios.


Fragmentos disso que chamamos de “minha vida”.

Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector “Tentação” na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.
De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.
Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.


Lindo, não?! Eu sempre me emociono com esta crônica...Para quem gostou do livro TWITTERATURE, ele está à venda na Livraria Cultura e custa uns 20 reais.

6 de outubro de 2010

Redescobrindo uma revista: Bravo!

Fiquei muitos anos sem comprar e sem ler a revista Bravo! Achava os textos duros, difíceis, não despertavam o meu interesse.. No mês passado, resolvi comprar a Bravo para ler a matéria especial da Bienal de São Paulo e, muito feliz, redescobri a revista!



Neste mês fiz o teste final.. assim que a revista chegou às bancas, resolvi comprá-la novamente e conferir a edição. E confirmei as minhas expectativas.. a revista está realmente ótima! Ou eu estou mais apto a entendê-la, afinal, acho que devia ter uns 20 anos quando a li - com atenção - pela última vez.

A matéria de capa está incrível! Devo confessar que nunca dei muita bola para o Ferreira Gullar.. mesmo com o Licurgo me dizendo que ele era ótimo, eu tinha um pouco de resistência e nunca dei atenção ao seu trabalho .. Lendo a matéria escrita pelo jornalista João Barile para a revista, vi o que estava perdendo..



Aliás, o que mais me (re)aproximou da Bravo foi o tom das matérias.. Elas são todas, em geral, escritas de uma forma especial. Os textos apresentam não apenas a notícia, mas contextualizam o assunto, tornando-o interessante e pessoal ..

Lá, por exemplo, descobri o texto que Gullar escreveu após a morte da Clarice Lispector:

"Enquanto te enterravam no cemitério judeu
do Caju
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção do Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós"
("Na vertigem do dia")



A matéria apresentou 6 textos lindos do Gullar que, simplesmente, me deixaram impressionado com o seu trabalho. O texto seguinte conta a história dele contra os poetas concretistas, algo que eu também desconhecia e achei bem interessante.

Até as matérias que falam de livros que estão sendo lançados, ou peças que estão em cartaz, são super bem escritas, informam e contextualizam, explicam porque as coisas são (ou não) especiais.. dá para perceber o supercuidado que a redação dá a todas as matérias..

Para quem, como eu, está acostumado a ler notícias em sites ou acompanhar o que acontece no mundo em blogs e afins, ao ler uma revista como a Bravo tem-se a sensação de estar lendo um romance, tamanha a diferença na qualidade do texto.. não que não existam blogs e sites com textos superbons, mas, na maior parte dos casos, o texto é puramente informativo e (infelizmente em muitos casos) publicado com pouca ou quase nenhuma revisão..

A última matéria da revista é uma parte de uma ficção inédita..a deste mês é bem boa mas confesso que gostei mais da do mês passado. Fechar a revista desta forma realmente faz com que, quando chegamos à última página, tenhamos mesmo a sensação de estar lendo um livro...Bravo!

Ah, quando estava pesquisando imagens no Google para ilustrar este post, digitei gullar e bravo, e olha o que apareceu..


Olha que fofo!! Um cachorro bravo! Rsrs... Com textos bem ou mal escritos, devo confessar, eu simplesmente AMO a internet !!