3 de setembro de 2010

Dostoiévski / Clarice

Esta semana eu li, pela primeira vez, um livro do Dostoiévski. Sempre achei que fosse um texto muito difícil, cansativo, até.. mas depois de ver o entusiasmo do Licurgo em relação a ele, decidi tentar.. Peguei o livro "Duas Narrativas Fantásticas" que tem os contos "O sonho de um homem ridículo"e "A Dócil"e fiquei simplesmente encantado com Dostoiévski.



As histórias são superinteressantes e o texto é bem moderno, fácil de ler .. a forma como ele descrevia os sentimentos e percepções das personagens é, realmente, apaixonante. Nos dois contos, a narrativa expõe abertamente os sentimentos humanos como orgulho, amor, ciúmes e facilmente nos identificamos com as histórias vividas pelas personagens.

Mas o que mais me surpreendeu foi o estilo da escrita de Dostoiévski. Basta ler um trecho de "O Sonho de um homem ridículo" para perceber como este estilo era especial:

"Esperava o não-ser absoluto, e por isso dei um tiro no coração. E eis que estou nos braços de uma criatura, não humana, é claro, mas que é, existe:"Ah, então há uma vida além-túmulo!"pensei eu com a estranha leviandade dos sonhos, mas a essência do meu coração permanecia comigo em toda sua profundeza: "E se é preciso ser novamente - pensei eu -, e viver mais uma vez pela vontade inelutável de seja lá quem for, então não quero que me dominem e me humilhem"


Lendo os dois contos, em diversos momentos lembrei dos livros da Clarice Lispector.. achei os estilos bem similares.. Acho que, com certeza, Clarice deve ter lido muitos livros dele.. Mas não posso afirmar, pois mesmo sendo um superfã do seu trabalho, não conheço a biografia dela direito.. mas de qualquer forma, no livro de coletânea de crônicas dela, "De amor e amizade" vi uma crônica em que ela citava algo que ela leu. Era uma frase bem simples e bonita sobre o amor:

"Então por um  momento os dois se apagaram na doce escuridão tão profunda que eles eram mais escuros que a escuridão, por uns instantes ambos eram mais escuros que as negras árvores, e depois tão escuro que, quando ela tentou erguer os olhos até ele, só pode ver as ondas selvagens do universo acima dos ombros dele, e então ela disse: "Sim, acho que eu te amo". "

Na crônica ela disse que o texto estava em inglês mas ela não sabia quem era o autor .. eu fiquei bem curioso também mas não consegui encontrar no Google.. De qualquer forma, já fiquei feliz por ter perdido o medo e descoberto Dostoiévski.. é sempre bom saber que há coisas lindas no mundo!

Um comentário:

  1. Li o IDIOTA do escritor russo citado por ti. E Clarice leu sim Dostoiévski. Adorei a materia do Mcqueen!

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